segunda-feira, 30 de março de 2009

Andradas...

...de “Elefantes”, “Tigres”, “Bois”, “Pântanos” e muita escalada clássica e esportiva.



CAPÍTULO 1 - “O IMPONENTE ELEFANTE”.
A apenas 220 km de São Paulo, em pleno portal do Sul de Minas, encontra-se a pacata cidade de Andradas.
A cidade que é conhecida pela suas vinícolas e tradicionais vinhos do Sul de Minas, vem a cada dia se consolidando como um dos principais pólos de escalada do Sul de Minas, e é claro que através desta combinação perfeita (vinho pós-escalada) fomos até lá para conferir.
Através de ótimas recomendações de amigos escaladores “capiar” do interior de São Paulo, procuramos pelo Henrique Lima guia local e proprietário do Abrigo de Montanha do Velho, abrigo este que fica na base da Pedra do Pantano (ótima opção de escalada que falaremos em breve em um novo post). Antes de partir rumo à Andradas, obtivemos valorosas informações com o Henrique através do seu Orkut (Profile: Abrigo do Velho).
Eu, o Juliano Bolani e o Alex Feijó partimos para Andradas em uma sexta-feira, a princípio chegaríamos a Andradas pela madrugada de sábado e iríamos até a Pedra do Elefante, onde existem as melhores vias Clássicas da região. Contudo, antecipamos nossa ida e chegamos na noite de sexta-feira, “dormimos” no carro em frente ao Abrigo do Velho, acordamos o Henrique pela manhã (6:30hs). E daí começou todo o ótimo atendimento do Henrique, vulgo “Velho”. Ele logo preparou um café master plus turbo para tomarmos e em seguida partirmos para as escaladas na Pedra do Elefante.
A Pedra do Elefante:
Frequentemente conhecemos e escalamos paredes que recebem nomes que para você realmente entender o porquê do nome, você tem que ficar viajando para tentar enxergar a tal figura, ou então você fica de longe da estrada vendo a pedra e pensando: “não... quando avistarmos a outra face entenderemos o significado do nome (...)” exemplos destes nomes de pedras que eu fico até hoje tentando entender são: pedra da “Caveira” – Itatiaia RJ, pedra do “Cachorro” - Brejo da Madre de Deus PB etc.
Já na Pedra do Elefante, é surpreendente. Logo pela noite, quando vínhamos de carro pela estradinha de terra batida do Bairro Pantano, entendemos o porquê do nome “Elefante”, fomos gratificados pela belíssima imagem da pedra em formato idêntico a um imponente elefante. Se eu estivesse na África, com certeza eu sairia correndo de medo do bicho.
Naquela noite a pedra estava iluminada pela lua cheia. A pedra brilhava como um “neon” na escuridão, a cena é “indescritiva”, só vendo para entender do que estou falando, na foto não saiu nada, à não ser a escuridão da noite. Então tem que ir até lá em plena lua cheia. Heheh... e não esqueçam de me convidar.
Para chegar até a base da Pedra do Elefante, fizemos uma belíssima caminhada de aproximadamente 1h30min por uma estradinha de terra que dá acesso aos altos cafezais mineiro e depois pegamos uma curta trilha até a base que dá acesso às mais muitas vias de escalada Clássica com até 350 metros de escalada, variando do 3º grau até o VISup.
Foto: Trilha para a Pedra do Elefante - Vista da "Tromba" do Elefante
Nesta ocasião entramos nas vias mais tradicionais da Pedra, são elas, “Era do Gelo” (4 V E2 150metros) e “Vulcano” (5 VSup E1 180metros), duas ótimas vias Clássicas.
Definimos as duas duplas onde planejávamos escalar as vias Era do Gelo (4 V E2 150 metros) e Vulcano (5 VSup E1 180 metros). O Alex Feijó (Vulgo Cabelo/“Véio”) e o Henrique Lima (do Abrigo do Velho – Vulgo Velho) entraram na via Era do Gelo. Eu (Weberson – Vulgo “são tantos que não sei o que colocar aqui”...) e o Juliano Bolani (Vulgo Costelinha/ Jbolani) entramos na Vulcano.
Alex (no alto) fazendo Segurança para o Henrique na 2ª cordada via Era do Gelo
Na via Era do Gelo o Alex e o Henrique não tiveram dificuldades, contudo na Vulcano, o Juliano Bolani depois de aproximadamente 90 metros de rocha acima (na terceira cordada) logo após o crux da via, levou uma “vaca” de aproximadamente 10 metros. Foi muito de bobeira, pois ele acabou saindo um pouquinho do traçado da via, escorregou e caiu. Na queda ele bateu com o tornozelo em um pequeno platô, dificultando sua guiada.
Weberson (capacete laranja) fazendo segurança para o Juliano - Via Vulcano 2ª cordada
Após muita conversa, decidimos que o melhor era o Juliano descer para eu guiar a terceira cordada. Logo que ele começou a descer o tempo que já estava fechado, veio bem de encontro conosco, mandando uma chuva tremenda, impedindo nossa subida ao cume.
Segue breve relato sobre a escalada na Era do Gelo e na Vulcano.
Via Era do Gelo (4 V E2 150metros) – Leve 10 costuras, friends pequenos e corda de 60 metros.
A via dá acesso ao cume, e é composta por 6 cordadas. Todas as paradas são duplas em grampos P’s:
Alex guiando a 3ª cordada na via Era do Gelo
Primeira cordada: III grau, 28 metros, uma chapeleta e 3 friends pequenos;
Segunda: V grau, 25 metros, 5 chapeletas e um friend pequeno (muito cuidado para não sair da via após a terceira chapeleta desta cordada, pois existe uma variante O Homem Elefante);
Terceira cordada: IV grau, 25 metros, 2 chapeletas (via segue um pouco para a direita) – cuidado para não pular chapeletas, pois elas estão da cor da pedra (O Alex passou por uma e guiou um bom trecho sem proteção);
Quarta cordada: V grau, 6 chapeletas (seguir pela linha lógica da via);
Quinta cordada: muito parecida com a 4ª cordada só que são 5 chapeletas;
Sexta e última cordada: III grau, 25 metros, 2 chapeletas. Acesso ao cume.

Via Vulcano (5 VSup E1 180metros) – Leve 15 costuras, pelo menos 4 costuras longas (bem longas, ou monte costuras com fitas tubulares de 50 cm) e corda de 60 metros.
*Atenção à via não possui rappel após a primeira parada (P1). O rappel deve ser feito pela via Era do Gelo. ** Com chuva, tivemos que “desescalar” aproximadamente 60 metros, recuperando as costuras, e quando chegamos na parte mais vertical, abandonamos uma malha rápida para rapelar até a primeira parada, onde tem grampos P’s para rapelar.
Auto-foto: Weberson na Vulcano 3ª cordada e a Chuva chegando.
O crux da via esta na terceira enfiada, em um lance de poucas agarras (meu parceiro Juliano Bolani passou o crux, mas acabou desviando um pouquinho do traçado e acabou levando uma “vaquinha” de pelo menos uns 10 metros), mas depois de dominado segue com boas agarras. É nesta terceira cordada que a via sai da grande canaleta na pedra, o que gera um pouco de abalo psicológico, pois você estará escalando facilmente pela canaleta (IV grau), e depois sai para a parede vertical um pouco mais exposta (V Sup).
Juliano guiando a 3ª cordada na via Vulcano
A via também da acesso ao cume, e é composta por 4 grandes cordadas de aproximadamente 50 metros cada.
Primeira cordada: sem grande dificuldade, IV grau, 28 metros, 3 costuras;
Segunda cordada: entrada na canaleta à direita, seguir sempre pela canaleta, IV grau, 50 metros, 6 costuras (parada em um P e uma Chapeleta);
Terceira cordada: crux da via está entre a segunda e a terceira chapeleta (fazer uma pequena travessia e mandar reto para cima em direção das chapeletas), V Sup, 50 metros, 7 costuras (parada em duas chapeletas);
Quarta e última cordada: seguir a linha reta da via dá um pouquinho de trabalho para entrar na cordada, mas depois de dominado segue tranquilo em linha reta, IV grau, 50 metros, 6 costuras (parada em duas chapeletas).
Enfim, vale a pena conhecer as escaladas na Pedra do Elefante em Andradas, Sul de Minas MG.
E quando forem até Andradas, não deixem de contatar o Henrique Lima do Abrigo de Montanha do Velho, pois o cara é muito brother, montanhista de coração e alma.
Até as próximas escaladas, aguardem as outras matérias das escaladas e montanhas “Azimutantizadas”.
OBS: Visitantes participem do Blog ai no campo “PAPO FURADO”, façam comentários, sugestões de matérias etc.
Bons ventos em 2009 e nos encontramos na rocha!!!
Weberson Martins
weberson_martins@hotmail.com

Contatos para Hospedagem, Alimentação, Guias Locais, Como Chegar ou qualquer outra informação:
Abrigo de Montanha do Velho: (19) 9109-3656 / (19) 3861-0043 - Henrique Lima
No Orkut / Profile: Abrigo do Velho ou Henrique Lima.
Encontre o croqui e o traçado das vias no site: www.abrigodopantano.com.br (Obs.: este site NÃO é do Abrigo de Montanha do Velho).

EM BREVE AQUI NO BLOG: CAPÍTULO 2 - “PANTANO SEM ACENTO”.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Técnica Rapel Seguro

A técnica de rapel, criada para evitar os perigos das descidas, sofreu notável evolução e é motivo de numerosos acidentes em todos os campos. Poderia considerar que o rapel esta altamente ligada à atividade de escaladores, alpinista e espeleólogos, e são a estas atividades a quem deve seu nascimento e posterior evolução. Também é certo que na atualidade se a considera como atividade em si mesma. Em todo caso deste ponto de vista vamos a considerar o rapel como uma técnica auxiliar para a prática da escalada.

Poderia se definir o rapel como um sistema de descida por corda, idealizado para evitar os perigos e freiar a mesma, ou seja, desde alguma montanha previamente escalada ou uma parede, ou mesmo baixar ao curso das explorações subterrâneas. O certo e que o rapel na escalada se remonta a tempos recentes, sendo o sistema Dulfller e o Comichi dois claros exemplos de como o alpinista clássico rapela os itinerários escarpados dos Alpes.

Evidentemente foi nas ultimas décadas que o sistema de rapel deu um giro definitivo com o surgimento dos arneses pélvicos (cadeirinhas) e os equipo de freio. Por isso na atualidade o rapel é uma técnica auxiliar que brinda grandes soluções ao escalador mais que apesar de sua notável evolução, sua pratica segue causando motivos de numerosos acidentes em todos os campos da escalada.

De uma evolução primaria se desprende a seguinte conclusão: Avaliação inadequada da resistência das ancoragens que compõem a instalação do rapel. Erro na aplicação da técnica de descenso em rapel. Podemos considerar que o primeiro campo é mais especifico para o escalador de terrenos de aventura, alpinistas que devem procurar em muitas ocasiões sua própria instalação mediante a colocação de peças moveis, pitons, ancoragens naturais de rocha ou vegetais, pontes de gelo ou mortos de neve (ancoragem feita com objetos enterrados). Em outras ocasiões deverá rapelar seguindo linhas previamente equipadas, muitas vezes sem ancoragens fixas. Em ambos os casos, seja rapelar sobre uma nova instalação ou reparar uma instalação antiga, o escalador estará realizando uma tarefa de grande compromisso, onde a correta avaliação da resistência da instalação do rapel é certamente vital. No segundo campo alcançar todas as praticas da escalada e onde vamos aprofundar nesta nota, na aplicação correta de uma técnica de descenso no rapel. Os que praticam escalada há muito tempo executam o rapel com técnicas muito diferentes, explorando sistemas e copiando receitas de manuais.

Técnica:

A técnica que aqui se apresenta vem de um modelo que se aplica na atualidade nos curso de formação de guias de montanha UIAGM na Europa e Argentina.
Conecta-se a Daisy Chain diretamente ao arnês, ou passar-lo com um nó que não permita que deslizamento.
A Daisy pode fixar-se ao anel de serviço do arnês, ou passá-lo através do olho do cinturão e das perneiras.
Coloca se no extremo da Daisy um mosquetão com trava automático. Para evitar que este mosquetão se saia do ultimo anel da Daisy recomenda se colocá-lo com uma borracha de costura Express.
Utiliza-se como freio algum dispositivo que favoreça a separação e o transado da corda. (Reverso, GiGi, ATC). Este freio coloca se no segundo ou terceiro anel da Daisy conectando mediante um mosquetão com trava.
O cordim para o sistema auto-bloqueador recomenda-se que seja de Kevlar de Cinco mm. Devido a sua maior resistência a temperatura. Um nó auto blocante que se desliza por uns minutos sobre a corda, coisa que pode acontecer, pode alcançar temperaturas tão elevadas que no caso do nylon e ainda mais de polietileno, comprometeria muito sua resistência.
Este cordim (de uns 120 cm) une-se em suas extremidades mediante um nó cego duplo (recomendado para unir o Kevlar.
Este cordim conecta se a um mosquetão com trava através de um nó UIAA e este mosquetão por sua vez conecta se a o anel de serviço do arnês.
Desta maneira o sistema auto-blocante nunca se desconecta do arnês ao utilizar como nó de auto bloqueo o Machard.
Desta forma o sistema de freio encontra se separado do corpo de escalador, permitindo observar claramente sua colocação ainda com anorak e mochila. Por outra parte ao separar o freio do corpo, este adquire uma postura ligeiramente mais erguida, especialmente favorável quando se rapela com mochila.
Por ultimo ao colocar o freio encima do sistema auto-blocante se garante a possibilidade de desbloquear o nó em qualquer situação ao receber este tensão controlada pelo freio.


Procedimento:

1 - Auto-segurar a instalação mediante Daisy Chain.
2 - Preparar as cordas e decide se realiza um nó em suas pontas. (considero oportuno realizar um nó nas pontas de cada extremo quando não se tem certeza se o rapel chegará a outra instalação ou ao piso).
3 - Aplicar o sistema de nó auto-blocante (Machard).
4 - Colocar o freio.
5 - Tirar o auto-seguro.
6- Rapelar controlando a velocidade com o nó Machard.
7 - Auto-segurar na próxima base.
8- Desmontar o freio.
9 - Desmontar o sistema auto-blocante. (O primeiro que rapela pode permanecer com o sistema instalado para exercer um controle sobre os outros que rapelam e para ter controle sobre a corda em rapeis diagonais).

segunda-feira, 9 de março de 2009

Accidente en el Tronador


Cayeron cuatro andinistas en una grieta, uno murió
Es el quinto escalador que muere en el país en el periodo de dos meses. El caso más nombrado fue el de Federico Campanini, quien murió durante una expedición ítalo-argentina en la cumbre del Aconcagua.
Un joven andinista estadounidense murió hoy y otros tres resultaron heridos tras caer por una grieta del glaciar del cerro Tronador cuando junto a un grupo de 12 escaladores trataban de hacer cumbre, informaron fuentes del Parque Nacional Nahuel Huapi. El accidente se produjo a las 6.30 cuando uno de los grupos, tres con cuatro escaladores cada uno, cayó a la grieta del glaciar "de entre 20 y 25 metros", según la fuente consultada, tras lo cual la coordinadora del grupo dio aviso a las autoridades. "El médico y los paramédicos constataron en el lugar que el chico estaba fallecido, sufrió un paro cardíaco por los traumatismos. De inmediato se trasladó a los tres jóvenes heridos y en el segundo helicóptero los restos del joven", completó la fuente. El grupo de 12 estudiantes norteamericanos, de entre 18 y 20 años, pertenece a la escuela Outward Bound School y no es la primera vez que visita el Parque Nacional Nahuel Huapi, contaban con un guía de esa nacionalidad y otro de nacionalidad argentina. El accidente se produjo a 500 metros del Viejo Refugio de Meilin, a unos 3.000 metros de altura y participaron del rescate además de Parques Nacionales, el club Andino Bariloche, el Ejército y Gendarmería. El operativo de rescate finalizó a las 11.20 y los heridos fueron derivados al sanatorio San Carlos de Bariloche mientras el cuerpo del joven fallecido fue trasladado a la morgue del hospital local.
Es el quinto escalador que muere en el país en el periodo de dos meses. El caso más nombrado fue el de Federico Campanini, quien murió durante una expedición ítalo-argentina en la cumbre del Aconcagua.
Domingo 8 de Marzo de 2009 13:10