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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Falhas em proteções de inox em locais litorâneos!



Após os recentes acidentes, a UIAA (Federação International de Montanhismo e Escalada) lançou um alerta sobre os riscos de falhas em proteções aparafusadas de aço inoxidável em áreas tropicais, ambientes marinhos.

De acordo com a UIAA, as primeiras amostragens de algumas zonas de escalada em regiões tropicais e ambientes marinhos mostraram que de 10 a 20% das proteções aparafusadas poderiam ter uma força de ruptura tão baixas quanto 1 a 5 kN! Para entender melhor, quedas normais de em escalada já submetem as roteções a forças de 1 a 5 kN. Segundo as normas da UIAA proteções fixas devem suportar uma força mínima de 22 kN.

Do site da UIAA: "De modo geral, algumas proteções fixadas quebraram tendo apenas o peso de um escalador. E todas as amostras que foram examinadas eram de aço inoxidável que atende as normas de segurança da UIAA e tem uma reputação de manter-se bem contra a corrosão. A corrosão nesse local em particular parece ser acelerada pela proximidade do mar e durante todo o ano com clima quente e úmido."


As imagens superiores mostram fotos das proteções com trincas visíveis, as inferiores não apresentam trincas mas também quebraram com cargas de 1 a 5 KN

Aqui estão as recomendações da UIAA, quando escalar em ambientes marinhos:

- Antes de qualquer escalada, nós recomendamos fortemente que você informe-se com os escaladores locais e/ou com as pessoas locais que equiparam as vias a respeito da qualidade das proteções no local.

- Algumas áreas são regularmente re-equipadas. Se os parafusos estão instalados a menos de 3 anos de idade, a experiência mostra que a probabilidade de encontrar uma proteção enfraquecida é baixa, apesar de serem conhecidas falhas do parafuso no prazo de nove meses de instalação.

- Por outro lado, se você detectar sinais de ferrugem nas proteções, isso pode indicar uma proteção muito enfraquecida. Nesse caso, não utilize a proteção, e abandone a escalada. Alerte os escaladores locais / pessoas locais que mantêm a área de escalada, para que eles possam inspecionar e substituir a proteção enfraquecida. Você também pode substituir a proteção, substituindo a proteção com uma similar ou superior resistência à corrosão.

- Como um princípio de precaução, recomendamos que você não escale nas vias em regiões tropicais e ambientes marinhos que apresentam sinais de ferrugem nas proteções e / ou quando você não sabe nem o responsável pela manutenção da área de escalada.

- Na ausência de informações confiáveis sobre a integridade das proteções os escaladores devem considerar todas as proteções fixas questionáveis, como é o caso da escalada alpina.

- Por último, é o montanhista que é responsável por suas decisões e ações relativas à integridade das proteções.

Fontes:

http://www.theuiaa.org/news_199_Extreme-caution-advised-for-anchors-in-tropical-marine-areas

http://petzl.com/en/outdoor/news-1/2009/12/16/planning-tropical-climbing-vacation-winter-beware-those-anchors

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Nas montanhas do Peru

Apesar de trabalhar na área de produção audiovisual infelizmente não tive a oportunidade de captar as imagens dessa trip. Fiz essa pequena edição com as imagens que o Marcelo e o Márcio captaram com suas handcams e câmeras fotográficas. O local é exuberante e isso ajuda qualquer cinegrafista! hehehe...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Cursos de montanhismo na região de Jundiaí

Como a maioria dos integrantes aqui do AZIMUTANTES é de Jundiaí, interior de São Paulo muita gente que chega até nosso site é dessa cidade. Pessoas perguntam se nos ministramos cursos ou sobre os "procedimentos" para entrar no nosso grupo.

Na verdade somos apenas um grupo de amigos que curte montanhismo, não existe nenhum grupo formalizado, a única coisa que existe é a nossa curtição em comum pelo montanhismo e este site que nos permite compartilhar fotos, vídeos, dicas e tudo mais com a galera.

Com exceção do nosso camarada Milton Marques que é guia de montanha na região de Bariloche além de ministrar cursos de escalada em rocha http://www.azimutantes.com/2009/01/milton-marques.html o resto de nós não dá cursos, mas podemos ajudar a encontrar um.

Qualquer pessoa da redondeza que quiser participar de atividades com a gente é só se apresentar, ter formação técnica em montanhismo compatível com a balada que for encarar, o resto é natural.

O propósito deste site é disseminar o montanhismo e fazer amigos dentro deste contexto. Isso é o mais importante!

Abaixo estou colocando as associações ou escaladores que eu (eu, André Zancanaro) posso indicar como boas fontes de cursos básicos, intermediários e avançados. São os seguintes:
 
Em São Paulo: CAP http://www.montanhismo.org.br/ clique em cursos (esse curso é homologado pela FEMESP, Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo) - Curso básico a avançado.

Em São Paulo: CEU http://www.ceubrasil.org.br/ clique em cursos (esse curso é homologado pela FEMESP, Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo) - Curso básico a avançado.

Em São Bento do Sapucaí: ELISEU FRECHOU http://www.montanhismus.com.br (Eliseu Frechou, entrem no site dele e vejam do que esse camarada é capaz. É um pouco mais afastado de Jundiaí mas vale a pena) - Curso básico a avançado.

Em Bragança Paulista: ANDRÉ PRATA GARCIA http://alpinismo.sites.uol.com.br/ (André Prata é um experimentado escalador que já tem décadas de prática) - Curso básico a avançado.

Em Pedra Bela: ALEXANDRE ANDERSON http://www.almadepedra.com.br/ (Alexandre Anderson simplesmente é formado pela Federação Francesa de Montanha e Escalada como treinador e escalador, sem comentários. Não sei se ele tem agenda de cursos. É bom confirmar.) - Curso básico a avançado.

Em Jundiaí: MILTON MARQUES http://www.azimutantes.com/2009/01/milton-marques.html  (As vezes o nosso camarada "hermano" está por aqui, se você tiver sorte de esbarra-lo por aqui é uma excelente opção) - Curso básico a avançado.

Em Jundiaí: CARLOS REDRESSI foi bombeiro durante 18 anos e dá curso de técnicas verticais, primeiros socorros e montanhismo. O orkut do Anderson Redressi que é filho do Carlos é: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=6315746154014648116 Quem quiser detalhes, por favor entre em contato com ele. - Curso básico.

Em Itatiba: PEDRO HAUCK www.pedrohauck.net já esteve em dezenas de montanhas no Chile, Peru, Bolívia e Argentina, participando de diversas expedições. Mora em Curitiba e vem sempre para Itatiba.  - Curso básico a avançado.

Para participar de atividades técnicas em montanhismo é ESSENCIAL fazer um BOM CURSO, o inventimento é de mais ou menos uns 500 reais, fora equipamento básico individual (cadeirinha, freio, mosquetão pera com trava, sapatilha, solteiras e saco de magnésio).

Um grande abraço para a galera de Jundiaí e região que prestigia nosso site!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Rio de Janeiro decreta o Programa de Incentivo ao Montanhismo

No último dia 12 de fevereiro foi publicado o Decreto Municipal do Rio de Janeiro, assinado pelo prefeito Eduardo Paes que cria o Programa Municipal de Incentivo ao Montanhista. Foram considerados vários fatores para que a lei fosse aceita, dentre elas o fato do Rio de Janeiro ser um dos berços da modalidade no país.

Outras considerações importantes foram a proteção e conservação dos ecossistemas naturais, e a presença do capítulo 13 da Agenda 21, que garante a preservação das montanhas e o fortalecimento das instituições a elas ligadas com objetivo de gerar conhecimento à sociedade.

O decreto reconhece o montanhismo como atividade de valor cultural e esportivo na cidade, propiciando interação e colaboração para preservar o meio ambiente. A partir de agora, o acesso às montanhas, paredes rochosas, cachoeiras, entre outros ambientes naturais estão liberados para a prática da modalidade, inclusive a escalada esportiva.

O Programa - O Programa Municipal de Incentivo ao Montanhismo tem o objetivo de mapear as áreas para a prática do montanhismo, condições de acesso, da modalidade, caracterizar e propor soluções para evitar os problemas ambientais.

Todos os projetos serão feitos e executados pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, em conjunto com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro (FEMERJ).

Em um dos artigos do decreto, está incluso a Abertura de Temporada de Montanhismo no calendário de eventos oficiais do Rio de Janeiro, que acontece no último domingo do mês de abril na Praça General Tibúrcio, na Urca.

Fonte:Webventure

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Aconcagua

Foto: Koki Castañeda
Este programa maximiza el tiempo para lograr el ascenso a la cumbre en buen estado y bien aclimatado. Dos semanas es un tiempo prudencial para intentar el ascenso del Aconcagua. Comenzaremos la expedición con una aproximación de tres días hasta el campamento base, incluyendo una visita a la base de la mítica e imponente Cara Sur del Cerro Aconcagua. Lograr un ritmo lento de ascenso, durante los primeros días, es esencial para una buena aclimatación. Los porteadores nos ayudaran para el traslado del equipo grupal y la comida durante el ascenso. De esta forma, ahorraremos energía para el día de cumbre.

Foto: M.Marques
Temporada: Desde el 15 de Noviembre al 15 de Marzo.
Duración: 15 días
Dificultad: Esta es una expedición en altura, tanto para el principiante como para quien cuanta con experiencia previa en montaña. Se recomienda tener una experiencia previa cargando una mochila de no más de 20 Kg. durante 6 a 12 horas. De la misma forma, es aconsejable contar con alguna experiencia previa acampando, para estar más familiarizado con la vida en el campamento. Un buen estado físico es de gran ayuda pero no garantiza la adaptación a la altura, pero contribuirá significativamente a una rápida recuperación del esfuerzo físico que demanda el ascenso.
Incluido: Todos los traslados terrestres. Camping en la montaña. Todas las comidas en los hoteles de Penitentes y Plaza de Mulas. Todas las comidas en la montaña. Mulas para llevar nuestro equipo y comida. Equipo grupal: carpas, botiquines completos y drogas para altura. Barómetro y altímetro, Oxímetro, GPS, cuerdas cortas y equipo de comunicación y seguridad grupal. Equipo de cocina. La proporción de Clientes/Guías es de 4:1, y aseguramos una proporción de 3:1 en el día de cumbre. Normalmente grupos de hasta 10 personas. Cámera de Gamow y Oxígeno disponibles en Plaza de Mulas.
No Incluido: Vuelos Internacionales y domésticos hasta la ciudad de Mendoza, equipo personal (por favor, ver lista de equipo personal), comidas en restaurantes en Mendoza y/o en tránsito. Bebidas alcohólicas. Porteadores personales. Permiso de ascensión en el Parque Provincial, costo que varía año a año.

Foto: M.Marques

El itinerario
  • 1 - Llegada y preparación Hotel en Mendoza Arribo al aeropuerto de Mendoza, en la mañana. Lo buscaremos en el aeropuerto y lo llevaremos al hotel. Presentación formal del grupo y los guías. Chequeo del equipo personal con los guías. Tiempo para ir alquilar el equipo personal que corresponda.
  • 2 - Traslado y descanso Hotel en Penitentes Tramitación de permisos de ascenso en las oficinas del Parque. Tiempo para coordinar los últimos detalles. Almuerzo. Traslado hasta los Penitentes (2700 m.)
  • 3 - Caminata Campamento Confluencia Caminata hasta Confluencia, a 3300 m. Este es el día en que iniciamos la marcha de aproximación al Aconcagua. Luego de registrarnos en la oficina del guardaparque, continuamos por el Valle de Horcones por una senda bien marcada. Caminaremos alrededor de 3 a 4 horas para llegar a nuestro campamento.
  • 4 - Caminata a Plaza Francia Confluencia Caminata hasta Plaza Francia, a 4000 m. Realizamos una caminata hasta la base de la imponente y mítica pared sur del Aconcagua. Vuelta al Campamento Confluencia.
  • 5 - Caminata Plaza de Mulas, a 4300 m. Comenzaremos temprano en la mañana. Caminaremos por la cara oeste del Cerro Aconcagua, para que luego de 7 a 9 horas de marcha arribemos al campamento base. Aquí nos alojaremos en el Campamento Plaza de Mulas.
  • 6 - Descanso Campamento Plaza de Mulas - Día de descanso.
  • 7 - Ascenso Campamento Plaza de Mulas Transporte de carga hasta el Campamento 01 (5150 m). Vuelta al campamento base y noche del Campamento Plaza de Mulas.
  •  8 - Ascenso Campo 01. Este campamento, también conocido como Cambio de Pendiente o Campamento Alaska, esta situado en una terraza espectacular; un lugar ideal para contemplar la belleza del atardecer en los Andes. Descanso.
  • 9 - Descanso Campo 01 Día de descanso.
  • 10 - Ascenso Campamento Alto Ascenso al campamento alto, a 5900 m. Partiendo temprano en la mañana nos aseguraremos de llegar temprano al campamento alto, conocido como Berlín. Tendremos tiempo para descansar, comer e hidratarnos antes del día en que intentemos ascender a la cumbre.
  • 11 - Intento de cumbre Campamento Alto Intento de ascender a la cumbre, a 6962 m. Desayuno a las 4:30 a.m. Este será el día más largo de nuestra expedición, por lo que necesitaremos seguir todas las intrusiones de nuestros guías. Comenzaremos con un ritmo lento pero continuo que nos permitirá ahorrar energía para la última sección del ascenso. Esta parte más empinada, conocida como la Canaleta, nos tomará varias horas ascenderla debido a la falta de oxígeno. Luego de nuestra foto de cumbre, regresaremos al campamento alto.
  • 12 - Descenso Campamento Plaza de Mulas campo base, Cenaremos y pasaremos la noche en el Campamento.
  • 13 - Caminata de regreso Hostal en Penitentes Caminata hacia Penitentes. Las mulas llevarán toda nuestra carga y disfrutaremos del regreso con poco peso. Haremos una parada para disfrutar del tradicional “lomito y cerveza” en Puente del Inca antes de arribar a nuestro hostal en Penitentes.
  • 14 - Traslado Hotel en Mendoza o vuelo a casa Traslado a Mendoza. Cena de celebración.
  • 15 - Día “Comodín” Contaremos con este día extra en caso de demoras por mal tiempo u otros factores. Traslado al aeropuerto, vuelo de regreso.
  • Nosotros lo podemos ayudar por otras opciones en Argentina y Chile. FIN DE NUESTROS SERVICIOS.
 Foto: M.Marques

IMPORTANTE: Este es tan solo un itinerario propuesto, y podrá ser modificado si el Guía Líder de la expedición así lo considere necesario, para acomodarse a las condiciones del clima, del grupo u otros factores. Por este motivo el programa cuenta con un día extra que nos permitirá tener mayores posibilidades de éxito. Cuando planee su viaje tenga en cuenta estos días extras. No se hará responsable por los costos extras por pérdida de vuelos, trasportes terrestres o noches de alojamiento extras; sean estas causadas por demora en arribar a Mendoza o por una evacuación médica o una partida anticipada.

Porteadores:  Los participantes pueden contratar a un porteador personal que no está incluido en nuestros servicios. Por favor, consúltenos por precios y para hacer la reserva para este servicio. 

Zona del Refugio Belin 6000 m.

Por M. Marques
Email: miltonmarques@meridies.com.ar

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Langdale/Ambleside Mountain Rescue Team

Andei sumido, muito trabalho... O bicho tá pegando! Mas, voltemos ao que nos interessa...

Por conta de meu trabalho com produção audiovisual e alguns "sonhos" acerca de criações de curta-metragens e documentários voltados ao excursionismo e montanhismo tenho pesquisado muitos vídeos na rede (e fora dela). Curiosamente achei um pequeno (e muito bom) trabalho que fala sobre um grupo de montanhistas britânicos voluntários que formam o "Langdale/Ambleside Mountain Rescue Team". Este vídeo mostra o "perrengue controlado" deles.

Veja a seguir:

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ohne Dich.

Esse vídeo merece ser postado aqui, demonstra com clareza o verdadeiro espírito do montanhismo. Assista até o final.



Com os cumprimentos do nosso "hermano" Miltão.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Avalanches


NOTA: Este texto foi gentilmente traduzido e enviado pelo Azimutante Milton Marques que atua como Guia de Montanha na região da Patagônia Argentina. Tal artigo é de extrema importância para quem frequenta ou deseja frequentar montanhas nevadas.

Prevenção contra avalanches.

A prevenção só é possível quando existem os conhecimentos profundos da geografia, das características da neve e das técnicas de auto-resgate treinadas no ambiente.

Para prever as avalanches é fundamental compreender seus diferentes tipos, como se relacionam estes com as propriedades da neve, o tipo de terreno, o clima, a orientação das ladeiras e os fenômenos atmosféricos (vento, chuvas, temperatura, etc.). A presença humana nestes cenários exerce influência na geração das avalanches.

A incorporação deste conjunto de informações teóricas e da experiência prática (em contato com o elemento, o estudo no lugar do manto de neve) estimula o crescimento de uma forma de consciência acrescentada. No cotidiano se conhece como o olfato do andinista, poderia dizer a intuição, a percepção do risco. Diria que esta é uma capacidade de desenvolvimento sobre as bases recém expostas e cujo resultado concreto é a antecipação, ferramenta crave da prevenção.

As pendentes mais perigosas estão entre os 25° e os 45° graus de inclinação.

Técnicas de auto-resgate


O fato de haver completado uma sólida formação técnica na prevenção de acidentes não garante que estejamos isentos de sermos vítimas de avalanches. Os elementos que influem na formação de uma avalanche geram um número infinito de variáveis, dando como resultado um risco residual considerável.

Por isso a aprendizagem das técnicas de auto-resgate é fundamental para a prevenção.


Para demonstrar rápidamente porque é importante possuir treinamento em técnicas de auto-resgate, vale demonstrar as estatísticas, que nos ajudam a compreender que em uma situação de avalanche, atuar com efetividade e rapidez, dispondo de equipamento adequado e de treinamento específico, pode significar a diferencia entre a vida e a morte.


Porcentagem de sobrevivência entre pessoas soterradas por avalanche.


  • 80% sobrevivem se permanecem na superfície.
  • 40 – 45% sobrevivem se ficam parcial ou totalmente enterrados.
  • 55 – 60% sobrevivem se ficam protegidos por veículos ou edifícios.
Causas de morte em avalanches:

  • 65% asfixia
  • 25% colisão com árvores, rochas e outros obstáculos.
  • 10% hipotermia e choque.


Sobrevivência de vítimas que ficaram enterradas em função de tempo de resgate.


  • As vitimas que ficam enterradas sobrevivem em 40% do total.
  • 20%(50% dos sobreviventes) vivem mais de 30 minutos.
  • 13% vivem mais de uma hora.
  • 7% vivem mais de duas horas.
  • 4% vivem mais de três horas.
  • Os resgates com vida de pessoas enterradas a mais de 2 metros de profundidade são só 4%.

O equipamento de auto-resgate indispensável.

ARVA – equipo emissor e receptor.

Emite um sinal sonoro conhecido como "beep".

Quando uma pessoa é vitima de uma avalanche ficando soterrado, seu ARVA em posição de emissão envia um sinal. As pessoas que ficam fora colocam seus ARVA em recepção, e desta maneira através de um método específico de busca podem localizar a posição da vítima enterrada.


Sonda desmontável
É indispensável na segunda etapa, já que nos permitirá sentir um corpo enterrado na neve, garantindo que o trabalho de escavação seja certeiro. A sonda permite captar claramente a diferença entre um corpo de outros objetos, especialmente rochas.


Pá de neve desmontável

É essencial na última etapa desta operação de auto-resgate que consiste em desenterrar a vitima no menor tempo possível.


Treinamento específico.

É fundamental ter um treinamento específico para o manejo dos equipamentos junto ao resto dos equipamentos de auto-resgate e fazer simulados.

Busca com ARVA, Sonda e pá.


Primeiros Socorros

Uma vítima de avalanche sempre apresenta um quadro de hipotermia de leve a sevéro, pode apresentar obstrução nas vias aéreas e parada respiratório ou cardiorrespiratório, traumatismo, hemorragias, etc. Em qualquer destes casos será necessário responder eficazmente a vítima nos primeiros socorros.


Proteção para hipotérmico.


Dicas importantes:

  • Evitar andar só na montanha no inverno. Uma vítima de avalanche dependerá de seus companheiros para resgatá-la.
  • Quando em grupo mantenha distância entre os membros do mesmo em terrenos expostos. Isso distribui o peso sobre o manto de neve e assegura que os membros do grupo poderão atuar se necessário.
  • Qualquer pessoa que se encontra transitando dentro de uma área exposta deve estar sendo vigiada pelos outros membros.
  • Durante uma tempestade de neve e o período de tempo imediatamente posterior a esta, se considera o momento de maior risco de avalanche.
  • É recomendável esperar 48 horas após uma nevasca intensa para transitar terrenos com exposição de avalanche.
  • Ainda dentro de um centro de esqui ou mesmo nas imediações, o terreno denominado "fora de pista" deverá ser considerado potencialmente perigoso, especialmente depois de uma tempestade de neve.

Bibliografia recomendada:

Manual técnico de avalanchas, David Mc-clung – Peter shaerer, Desnível.

Nieve y Avalanchas y meteo-France.

Traduzido por Milton Marques (www.azimutantes.blogspot.com).

www.avalanche.ca

www.csac.org

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Expedição Azimutantes - Peru 2009



Data: A ser definida (A partir de setembro).

Localizada a 110 km à sudoeste da Cordilheira Blanca, é uma cadeia de montanhas compacta e possivelmente a mais esplêndida dos Andes peruanos. Possui apenas 30 km de distância norte ao sul e lá se localiza a segunda mais alta montanha do Peru: Yerupajá, com 6.634 m.

Em geral, os geógrafos dividem os Andes peruanos em 20 cordilheiras. O circuito de aproximadamente 160 km ao redor do maciço de Huayhuash é uma das mais espetaculares rotas de trekking do mundo. Apesar de ser uma caminhada dura, traz como recompensa paisagens de beleza insuperável, com vistas de picos de mais de 6.000 m de altitude com faces escarpadas, lagos de cor turquesa, bosques, riachos de águas cristalinas e pequenas comunidades andinas.



Cronograma da Expedição:

1º dia – São Paulo – Lima – Huaraz 3.090 m.
2º dia – Huaraz - Ruínas Willcawain caminhada de aclimatação.
3º dia – Huaraz - Laguna Paron 4.150 m - Huaraz caminhada de aclimatação.
4º dia – Huaraz - Laguna Churup 4.480 - Huaraz caminhada de aclimatação.
5º dia – Trekking 1 - Huaraz - Quartelhuain 4.100 m – início do trekking.
6º dia – Trekking 2 - Quartelhuain - Laguna Mitococha 4.200 m.
7º dia – Trekking 3 - Laguna Mitococha - Laguna Carhuacocha 4.150 m.
8º dia – Trekking 4 - Laguna Carhuacocha – Huayhuash 4.300 m.
9º dia – Trekking 5 - Huayhuash - Laguna Viconga 4.400 m.
10º dia – Trekking 6 - Laguna Viconga – . Quebrada Huanacpatay 4.300 m
11º dia – Trekking 7 - Quebrada Huanacpatay 4.300 – Huayllapa 3.500 m
12º dia – Trekking 8 – Huayllapa – Gashgapampa 4.400 m
13º dia – Trekking 9 – Gashgpampa - Laguna Jahuacocha 4.000 m
14º dia – Trekking 10 – Laguna Jahuacocha - Pacllon 3.350 m – Huaraz
15º dia – Huaraz - Lima - São Paulo



Cronograma Detalhado

1º dia - São Paulo – Lima - Huaraz
Vôo de São Paulo a Lima. Chegada em Lima pela manhã e embarque para Huaraz as 13:00 horas em ônibus executivo local. Chegada em Huaraz as 21:00 horas, traslado ao hotel e recepção. Hotel San Sebastian


2º dia - Huaraz
Ao amanhecer teremos a linda vista dos Andes, as montanhas estão lá, erguendo-se a alturas que envolvem todo o vale. Neste dia, como parte de nosso programa de aclimatação visitaremos as ruínas pré-incaicas de Willcawain. Desnível de 300 metros. Hotel San Sebastian - Café da Manhã


3º dia - Huaraz - Laguna Paron 4.150 m – Huaraz
Neste dia continuaremos o nosso programa de aclimatação, visitaremos a maior laguna da Cordilheira Blanca. Serão três horas de carro pelos vales onde se localizam as grandes montanhas do norte andino, passaremos aos pés do Huascaran – 6.768 metros, a maior montanha da cordilheira. Caminharemos por 2 horas a altitude de 4.200 metros. Hotel San Sebastian - Café da Manhã


4º dia - Huaraz - Laguna Churup 4.480 metros – Huaraz
Do nevado (montanha) Churup – 5.495 metros, se origina a uma das lagunas mais espetaculares da região. Está a 20 kilômetros de Huaraz pela estrada que nos leva aos vilarejos de Pitec. Caminharemos por 3 horas com trechos de “escalaminhadas” até nos depararmos com as águas de azul turquesa desta impressionante laguna. Tarde para checarmos todos os equipamentos e se necessário efetuar as últimas compras. Hotel San Sebastian -Café da Manhã


5º dia - T1 - Huaraz - Quartelhuain 4.100 metros
Uma vez fora de Huaraz, deixando para trás as buzinas incessantes dos táxis para se aproximar da espetacular Cordilheira Huayhuash. Serão seis horas chacoalhando dentro de uma van valerão a pena, pois avistaremos de longe o Yerupajá e várias outras montanhas. Esta que é a maior montanha da Cordilheira Huayhuash, foi conquistada em 1950 por uma equipe americana da Universidade de Harvard, e conta hoje com aproximadamente 14 êxitos e cerca de 30 alpinistas que conseguiram chegar no seu ponto mais alto. Acamparemos a 4.200 metros, onde a van nos deixará. Acampamento Full Café da manhã, lanche de trilha, chá da tarde e jantar


6º dia - T2 - Quartelhuain - Laguna Mitococha 4.200 metros
Neste primeiro acampamento estaremos a 3 horas do nosso primeiro passo de 4.700 metros (Cacananpunta) de uma série de 8 passos. Um passo é a menor altitude entre as montanhas, ou seja, de um vale para outro sempre haverá passos e é um lugar mágico, a conquista destes lugares é semelhante a conquista de cumes. O visual é incrível. Neste dia serão 6 horas de caminhada. Acampamento Full Café da manhã, lanche de trilha, chá da tarde e jantar


7º dia - T3 - Laguna Mitococha - Laguna Carhuacocha 4.150 metros
Neste dia temos o encontro com o grande Yerupajá - 6.634 metros (a segunda maior e mais difícil montanha dos Andes). Temos 6 horas de caminhada, um desnível de 420 metros e atravessaremos o Passo Carhuac - 4.650 metros. Acampamento Full Café da manhã, lanche de trilha, chá da tarde e jantar


8º dia - T4 - Laguna Carhuacocha – Huayhuash 4.330 metros
Este talvez seja o dia mais longo da nossa expedição. Atravessaremos o Passo Siula (4.800 metros) ou o Passo Carnicero (4.600 metros). É um dia de visuais de glaciares e imensas paredes de gelo com lagos glaciais de cores impressionantes. Caminhada de 8 horas até o vilarejo Huayhuash. Acampamento Full Café da manhã, lanche de trilha, chá da tarde e jantar


9º dia - T5 - Huayhuash - Laguna Viconga 4.400 metros
Deixaremos este pitoresco vilarejo de pastores, um dos mais altos da região andina. Caminharemos para um acampamento com banhos termais ao ar livre (rústico, sem infra-estrutura de turismo organizado. Leve roupa de banho). Banhos termais, lagoas de azul turquesa são as recompensas de quase uma semana de caminhada e travessias de quatro passos acima dos 4.000 metros Tempo de caminhada, 6 horas - Passo Portachuelo de Huayhuash - 4.750 metros. Acampamento Full Café da manhã, lanche de trilha, chá da tarde e jantar


10º dia - T6 - Laguna Viconga - Quebrada Huanacpatay 4.300 metros
Neste dia enfrentaremos um desnível de mais de 700 metros para cruzar o passo Punta Cuyoc - 5.000 metros. Vamos ter a visão da cordilheira Raura, uma extensão da Huyahuash, com mais de 10 montanhas acima dos 5.500 metros e inúmeros glaciares. Vamos perder a tão preciosa altura, até atingirmos um verde vale para a nossa área de acampamento. Caminhada de aproximadamente 6 horas. Acampamento Full Café da manhã, lanche de trilha, chá da tarde e jantar


11º dia - T7 - Quebrada Huanacpatay 4.300 – Huayllapa 3.500 metros
Dia fácil. A nossa caminhada de hoje nos leva a pequena Huayllapa. Um vilarejo isolado aonde não chegam automóveis e não há telefones. Nos abastecemos de frutas, verduras frescas e compartimos experiências com a população local. Caminhada de 4 horas. Acampamento Full Café da manhã, lanche de trilha, chá da tarde e jantar


12º dia - T8 – Huayllapa – Gashgapampa 4.400 metros
O penúltimo passo da nossa circunavegação será transposto neste dia, o Punta Tapush - 4.800 metros. Aos arredores da área de acampamento, na laguna Susucocha, poderemos encontrar restos de fosseis. Acampamento Full Café da manhã, lanche de trilha, chá da tarde e jantar


13º dia - T9 – Gashgpampa - Laguna Jahuacocha 4.000 metros
Neste dia cruzaremos o Passo Punta Yauche - 4.800 metros e caminharemos aproximadamente 7 horas. Voltaremos a nos encontrar com o Yerupajá (a face mais escalável), Rondoy (5.870 metros) e Jirishanka (6.094 metros). Acamparemos numa área isolado da laguna e possivelmente teremos truta na jantar, pescado pelo nosso staff. Módulo opcional: Ascensão do Diablo Mudo - 5.260metros A ascensao será pela via normal e desceremos pela outra face da montanha. Este passeio será de aproximadamente 11 horas em ritmo lento, devido a travessias de moraine, um rapel no gelo e travessias de gretas. Despertaremos a 3 horas da manhã e sairemos as 4 horas da manhã,com retorno previsto as 3 horas da tarde. A utilização de cavalos poderá ser feita até o início da moraine e após a descida há 2 horas do acampamento. Estaremos acompanhados por um guia de alta montanha. O passeio poderá ser suspenso devido as condições climáticas. Acampamento Full Café da manhã, lanche de trilha, chá da tarde e jantar


14º dia - T10 – Laguna Jahuacocha - Pacllon 3.350 metros – Huaraz
Neste dia teremos completado o circuito da Cordilheira Huayhuash, um dos mais espetaculares circuitos de trekking. Em 6 horas teremos nos afastado das montanhas pelo rio Achin até o primitivo vilarejo de Paclon. Em aproximadamente 5 horas estaremos em Huaraz. A noite jantar de comemoração com o staff. Hotel San Sebastian Café da manhã, lanche de trilha e jantar


15º dia - Huaraz – Lima
Na parte da manhã descanso e a tarde viagem a Lima. Hotel - Café da Manhã


16º dia - Lima – São Paulo
Café da Manhã e transfer do hotel ao aeroporto e viagem para São Paulo.

Lista de Equipamentos Sugeridos –Versão I

Itens técnicos

01_ Par de bastões de ski o para caminhar (telescópicos).

Botas e calçado

01_ Tênis, para caminhar as botas de trekking leves.
04_ Meias grossas de lã (4 pares)
04_ Meias semi grossas de lã (4 pares)
01_ Polainas ou cobre botas

Capas de vestimenta para o tronco

02 _Camisas de poliéster com manga larga
02_ Camiseta térmica fina, de Capilene® ou similar
01_ Blusa térmico de fleece/polar/pile 100 o expedition weight
01_ Blusa de fleece/polar/pile 300 ou Abrigo estilo Puffball de Patagonia®
01_ Blusa de Gore-Tex® ou similar
01_ Anorak de duvet, com capuz
01_ Balaclava ou Gorro de lã ou fleece (polar) bem abrigada
01_ Luvas térmicos de polipropileno
01_ Luvas de lã ou fleece (polar)

Capas de vestimenta para as pernas

05_ Cuecas tipo zorba largo térmico fino Capilene® o similar
01_ Calça térmicos de abrigo de fleece (polar 100o similar)
01_ Calça corta ventos tipo Gore-Tex o similar
01_ Calça de trekking de poliéster o secado rápido p/approach
01_ Short de poliéster o nylon corto p/approach

Mochilas e Saco de dormir

01_ Mochila grande de 80 lts o mais.
01_ Bolsas de plástico para organizar efeitos pessoais (para deixar material na pousada).
01_ Saco de dormir para -10/-15C de duvet (pena de ganso).
01_ Bolsa de compressão p/a bolsa de dormir
01_ Isolante p/dormir (Therm-a-Rest™)

Utensílios para comer

01_ Copo, se é possível de plástico
01_ Tapperware pequeno com tampa, como prato (não maior de 850 ml)
01_ Colher de sopa, se é possível de plástico
02_ Garrafas de plástico p/1 litro de H20 cada uma ou Camelbak® de 2 lt de capacidade p/approach

Itens Miscelâneas

01_ Gorro para sol tipo baseball o chapéu
01_ Crema p/ lábios
01_ Creme de proteção solar
01_ óculos de Sol com proteção lateral
01_ lenço para a cabeça (bandana)
01_ Lanterna frontal com pilas novas extras p/ler a noite
01_ Isqueiro
02_Sacos de lixo de grandes e grossas.
01_ Pasta de dentes pequena e escova de dente
01_ Relógio resistente a H2O e com alarme ou despertador
01_ Tira p/os óculos MAX ou Chums™ (mantém os óculos pendurados no pescoço)
01_ Garrafa térmica de aço inoxidável de 1 litro. (uma para cada 2 pessoas).
01 mascara para vento (óculos de ski)

Opcionais:

Comida pessoal a gosto pessoal: snacks, bolachas, etc.
01_ Jaleco de duvet (pena de ganso).
01_ Pequeno canivete suíço
01_ Câmara de fotos e filme
01_ Livro de bolso
01_ MP3.

Fonte das fotos: http://www.photoseek.com/peru/Huayhuash.html

Organização: Milton Marques

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Vulcao Lanin.
















Este é o Lanin (3776 mtrs.) um vulcão inativo que faz divisa entre Argentina e Chile há apenas 300 km de Bariloche. Possui várias rotas de acesso e é a montanha onde todo andinista deveria passar antes de começar a escaladas maiores. É uma pirâmide de quase 4000 metros varrida por ventos constantes que vem do Pacífico.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Objetivos e Diretivas Ambientais da UIAA .

1. A declaração dessa política provê as linhas gerais para as principais questões ambientais ligadas ao montanhismo. A declaração considera que o termo "montanhismo" inclui as seguintes atividades: escalada, caminhada e ski touring.
2. A declaração considera tanto os efeitos do montanhismo sobre o ambiente como também o papel que os montanhistas tem para manter um futuro sustentável para o ambiente de montanha.
3. Estes objetivos e diretivas fornece a base para as federações membros da UIAA seguirem apoiando o crescimento das atividades de montanha. Eles ajudarão as federações membro a garantir que as atividades de montanha são sensíveis às necessidades e questões ambientais e irão dispensar esforços para proteger regiões de falésia e montanha de impactos ambientais adversos, seja qual for a sua origem.

Essa declaração é baseada na "International Guidance on Conservation and Sports Activity" e declarações de políticas e relatórios da UIAA. Todos estes estão listados no Anexo.

Valores

1. O ponto central ao trabalho da UIAA é acreditar que a liberdade de praticar o montanhismo, seja nos picos remotos ou nas falésias à beira mar, é de grande valor à diversos cidadãos do mundo. A liberdade de escalar é parte da grande necessidade das pessoas de ter acesso à terra ou água para apreciação da natureza e da paisagem, como reconhecido pelo World Conservation Congress em 1996. Isto também engloba a necessidade pela aventura, pelo exercício físico e mental e as dimensões sociais dos esportes de montanha. Promover o conhecimento (e o auto conhecimento) destes valores por toda comunidade é um importante ponto inicial para alcançar os objetivos ambientais maiores da UIAA.
2. A UIAA reconhece o enorme valor das áreas de montanha: como reservas da biodiversidade, como lugares de grande interesse espiritual e histórico, como lugares de fenômenos naturais espetaculares associados ao clima e à geologia, e como o lugar dos mais bonitos cenários e cheios de paz. A referência à ambientes de montanha diz respeito desde locais remotos, selvagens e naturais até locais de habitação humana, freqüentemente com grande alterações do cenário e com grande valor cultural. A UIAA reconhece que essas áreas frequentemente contém ecossistemas frágeis e facilmente danificáveis, bem como estilos de vida locais que são sensíveis à intrusão externa.
3. A UIAA também reconhece que as montanhas são frequentemente a fonte para produtos essenciais à humanidade como um todo. Destes, os suprimentos de água pura em córregos e rios que descem de áreas de montanha são de suprema importância. De forma similar, a UIAA reconhece o uso de áreas de montanha como fontes de produtos agrícolas e dos bosques e florestas, de minerais e de reservas de energia. Entretanto, a UIAA enfatiza a necessidade de se extrair esses produtos de forma não comprometer a qualidade ambiental das áreas de montanha.
4. A UIAA reconhece o papel do "turismo de montanha" como forma de apoio às economias locais, incluindo a produção de artigos comercializados localmente, e reconhece a necessidade de manter as habilidades e conhecimentos locais de manejo do terreno. A UIAA está também preocupada em garantir que a atividade de montanhistas ajude a manter as comunidades locais, e que isso também traga benefícios habitantes das montanhas como um todo, de forma que isto é plenamente aceitável pela comunidade de montanhistas.

Impactos

A UIAA acredita que montanhistas, bem como muitas outras pessoas e organizações, devem ser bastante conscientes e preocupados a respeito do futuro do ambiente de montanha. Os seguintes tipos de impacto agridem a integridade de ecossistemas e comunidades da montanha, e ameaçam o impedir que se desfrute e que se pratique o montanhismo.

1. A perda da biodiversidade devido à destruição das florestas, exagero na roçagem e aragem e incêndios. Estes impactos podem ter profundos efeitos sobre a cobertura de vegetação natural do solo, a riqueza de espécies animais e a perda do solo e vegetação devido à erosão. O caráter selvagem não degradado das áreas de montanha está diminuindo.
2. Alterações maciças e agressivas da paisagem natural. Trabalhos de mineração de grande escala, esquemas para grandes reservatórios de água e hidrelétricas estradas, ferrovias, torres e estruturas para telecomunicações, instalações e edificações de estações de esqui, e especialmente as alterações destinadas ao desenvolvimento do turismo e da indústria são pontos que particularmente causam grandes preocupações.
3. Alterações climáticas, poluição através da contaminação do ar ou água e ruídos intrusos provenientes de veículos motorizados e aviões. Virtualmente, não há no mundo nenhuma área de montanha onde os sinais da poluição estão ausentes, e todo o globo está sendo afetado por mudanças climáticas. Montanhistas devem refletir sobre como suas atividades estão colaborando com os problemas de poluição, e como, considerando a sociedade como um todo, os montanhistas podem contribuir para fazer da terra um lugar menos poluído.
4. abuso no uso de locais frágeis e sensíveis. Um número excessivo de visitantes, incluindo entre eles os montanhistas, está levando à degradação de alguns ambientes de montanha, através do uso demasiado de áreas frágeis e sensíveis ou até mesmo por falta de uma conduta adequada como montanhista. Estes danos estão ocorrendo em áreas relativamente pequenas de diversas regiões de montanha, e são menos significantes do que alguns dos problemas listados acima. Este abuso, entretanto, parecem estar sendo bastante significantes em alguns dos locais de escalada mais famosos do mundo, como os campos base das mais altas montanhas, das trilhas mais frequentadas por montanhistas e trekkers, ou em falésias e paredes amadas pelos escaladores, observadores de pássaros e biólogos. É essencial que as organizações de trekking, expedições de montanha e escaladores tenham consciência disso, e passem a adotar melhores técnicas e conduta.

Integração

A UIAA acredita que montanhistas tem um grande potencial para assumir suas responsabilidades ambientais, bem como condições de proteger as terras de montanha e suas comunidades através de um processo de integração com outras entidades e setores da sociedade. Estes são os requisitos básicos que cada montanhista deve considerar como indivíduo e como membro da comunidade de montanhistas:

* Persuadir os responsáveis por tomada de decisões que as montanhas e o povo das montanhas são importantes e que o montanhismo é uma atividade que merece apoio.

* Difundir que o conceito de liberdade de acesso, exercido com responsabilidade, é uma elemento inerente ao montanhismo, frequentemente associado à extenuantes esforços físicos e mentais, risco e aventura, e uma relativa ausência de regras e regulamentações.

* Ter consciência que viajar por lugares lindos é um elemento essencial na maioria das experiências de montanha, e assim, os montanhistas devem se esforçar para manter estes lugares bonitos.

* Desenvolver técnicas de escalada e montanhismo que tenham mínimo impacto no ambiente, incluindo acertos de viagem e transporte que minimizem a poluição e a queima de combustíveis fósseis, bem como o uso de material reciclado.

* Apoiar ações e esforços que protejam áreas de montanha e melhorem o bem estar e a prosperidade de comunidades locais, assumindo que estas ações estejam de acordo com os interesses dos montanhistas através de consulta e negociação anteriores. Por exemplo:

Apoiando a criação de áreas de proteção, como parques nacionais e reservas, para salvaguardar espécies selvagens e paisagens especiais. Deve-se considerar também que essas áreas sejam também gerenciadas e manejadas de maneira eficiente e estejam bem integradas com as necessidades das comunidades locais e esteja considerando as necessidades dos montanhistas.

Apoiando, onde necessário, a regulamentação, desde que esta seja aceitável aos montanhistas e capaz de ser aplicado de forma equalitária a todos, e que preferencialmente seja feito através de acordos e arranjos entre pessoas voluntárias.

Apoiando medidas justas e equalitárias que ajudem os montanhistas a contribuir diretamente à prosperidade econômica e bem estar ambiental das comunidades locais. Ajuda deve ser dada à incorporação de educação ambiental em programas para instrutores e guias de montanhismo.

* Promover a iteração entre federações de montanhismo, organizações representantes da sociedade e cidadãos, governo, organizações internacionais no que tange políticas sobre o uso da terra, energia e transporte que afetem áreas de montanha.

* Desenvolver parcerias entre organizações ligadas ao montanhismo e outras organizações com interesse em defender e preservar o ambiente de montanha, mas que também defendam a liberdade de acesso.

Estes requisitos básicos definem o escopo principal da política ambiental da UIAA, e fornece a base para as federações integrantes da UIAA promoverem atividades de montanhismo que considerem as principais questões ambientais.

Anexo aos Objetivos e Diretivas

Diretrizes internacionais:
1. Resolution on public access to land and water, supported by the UIAA and passed by the World Conservation Congress of the World Conservation Union (IUCN), Montreal, Canada, 1996.
2. Declaration on Sports and Environment issued by the International Olympic Committee, 1996.

Declarações de política e relatórios aprovados por assembléias gerais da UIAA

- Kathmandu Declaration (1982)
- Matsumoto Mountain Protection Report (1992)
- Target programme to reduce trash (1992)
- Resolution on touristic flights in mountain areas (1994)
- Guidelines for ski alpinism competitions (1994)
- Policy on competition climbing (1995)
- Minutes of Cape Town Conference on "Access and Conservation Policy" (1995)
- UIAA Expeditions Code of Ethics (1987)

Fonte: www.hangon.com.br
Traduzido por Maurício "ToNTo" Clauzet de um texto da UIAA.

Especialistas defendem ampliação de debate sobre projeto que regulamenta esportes radicais.

A discussão sobre o projeto de lei do Senado que estabelece regras para a prática de esportes radicais ou de aventura deve ser ampliada para que pontos da proposta sejam mais bem esclarecidos. Essa foi a manifestação de especialistas em esportes radicais que participaram, nesta quarta-feira (4), de um debate sobre a matéria na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). O relator, senador Raimundo Colombo (DEM-SC), prometeu promover novas discussões, mas afirmou que os esportes radicais e de aventura necessitam ser regulamentados. Para o senador, é preciso dar mais segurança aos praticantes, além de garantir equipamentos e insumos de qualidade.

O presidente da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME), Silvério José Nery Filho, disse que os equipamentos usados no país para a prática de esportes radicais ou de aventura são de boa qualidade e estão de acordo com os padrões da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Ele informou que, de acordo com estatísticas, dentro do setor de montanhismo e escalada, em cada seis anos é registrada apenas uma fatalidade.

Já o presidente da Confederação Brasileira de Pára-Quedismo (CBPQ), Jorge Derviche Filho, informou que o esporte já possui regulamentação, enquanto Flávio Padaratz - o Teco - bicampeão mundial de surfe, advertiu que o projeto, como está elaborado, poderia gerar "conseqüências drásticas" para o esporte. Ele observou que o surfe é considerado também um esporte livre, que se confunde com um lazer. No Brasil, conforme informou, há cerca de 3,5 milhões de praticantes dessa modalidade, sendo muito difícil, conforme reconheceu, o credenciamento de instrutores para ministrar aulas de surfe, conforme determina o projeto.

O representante do Ministério do Turismo Diogo Demarco reconheceu que o setor deve ser normatizado, desde que em comum acordo com federações, associações e entidades ligadas aos esportes radicais e de aventura.

  • Saiba o que a CBME disse ao senado, faça o download da apresentação. (.pdf - 398 kb)

Acidentes

Mortes e constantes acidentes, muitos deles graves, que vêm mutilando atletas que praticam os chamados esportes radicais ou de aventura - como bungee jump, rapel, surfe, e montanhismo - levaram a CE a debater regras claras destinadas a dar mais segurança aos que praticam essas modalidades esportivas.

A audiência pública destinou-se a instruir o projeto. de autoria do senador Efraim Morais (DEM-PB), que deverá ser votado em breve pela CE em decisão terminativa. A proposição (PLS 403/05), cujo parecer já foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), chega a exigir o selo de controle de qualidade dos equipamentos usados em esportes radicais, a ser emitido pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro).

A proposta de Efraim também condiciona a prática dos esportes radicais à qualificação técnica de instrutores e demais profissionais responsáveis pela preparação dos locais e operação de equipamentos, por meio de certificado obtido em curso específico. Cria também o Certificado de Comprador, emitido pelo Poder Público em favor do profissional autônomo ou entidade habilitada a prover a oferta de esportes radicais ou de aventura.

Fonte: Cláudio Bernardo / Agência Senado

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Legislação sobre esportes radicais ou de aventura, suspense!

Como tenho imensa esperança (e acredito que muitos também tenham) que o projeto de lei 00403 / 2005 que visa regulamentar os esportes radicais ou de aventura no Brasil (Texto completo aqui) seja "enterrado" devido as inúmeras restrições e inviabilidades que o mesmo poderá trazer a prática do Montanhismo amador afetando totalmente a essência desta atividade, estou aqui apreensivo e acompanhando o assunto pela página do Senado Federal que até agora apresenta somente as seguintes informações:
  • PLS 00403 / 2005
04/06/2008 CE - Comissão de Educação
Situação: AUDIÊNCIA PÚBLICA

A Comissão, reunida no dia de hoje, realiza Audiência Pública para instruir o presente projeto, com os seguintes convidados: Diogo Joel Demarco - Diretor do Departamento de Qualificação, Certificação e de Produção Associada ao Turismo do Ministério do Turismo; Jorge Derviche Filho - Presidente da Confederação Brasileira de Pára-Quedismo - CBPQ; André Arantes - Diretor do Departamento de Esporte de Base e de Alto Rendimento do Ministério do Esporte; Flávio Padaratz - Bicampeão Mundial de Surf e Proprietário da licença WCT no Brasil; e Silvério José Nery Filho - Presidente da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada - CBME. A matéria retorna ao gabinete do relator, Senador Raimundo Colombo, para prosseguimento de sua tramitação.

Fonte: http://www.senado.gov.br/

Nota do Autor: É bom que eu deixe bem claro aqui que eu não sou contra a regulamentação dos esportes radicais ou de aventura, porém que seja regulamentado por pessoas compreendedoras da ética e dos valores do Montanhismo e não de maneira vaga e pouco específica dando munição para que nossa atividade seja inviabilizada. Sou TOTALMENTE CONTRA o texto do referido projeto em questão.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Mortes no Montanhismo brasileiro gerando frutos!

Se vão ser frutos bons ou ruins eu não sei. O que sei é que na pressa de mostrar serviço em épocas de eleição os políticos podem acabar regulamentando de forma equivocada e prejudicando o montanhismo tradicional, ou seja "burrocratizando" e inviabilizando a prática de escaladas e caminhadas.

Leiam a matéria a seguir publicada na página do Senado Federal:

  • Projeto que regulamenta prática de esportes radicais e de aventura será debatido em audiência pública
Mortes e constantes acidentes, muitos deles graves e que vêm mutilando atletas que praticam os chamados esportes radicais ou de aventura - como bungee jump e rapel - poderão levar o Senado a aprovar uma lei fixando regras para essas diferentes modalidades esportivas. Entre as normas em discussão, está a que condiciona a prática dos esportes radicais à qualificação técnica de instrutores e demais profissionais responsáveis pela preparação dos locais e operação de equipamentos, por meio de certificado obtido em curso específico. O assunto será tema de audiência pública no Senado nesta quarta-feira (4).

O primeiro passo já foi dado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), que aprovou parecer a projeto de autoria do senador Efraim Morais (DEM-PB) que estabelece regras para os esportes radicais. O projeto (PLS 403/05) chega a exigir o selo de controle de qualidade dos equipamentos usados em esportes radicais, a ser emitido pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro).

Os estabelecimentos responsáveis pela comercialização de equipamentos usados nos esportes radicais e de insumos utilizados na montagem desses equipamentos, de acordo com o projeto, serão obrigados a exigir, do adquirente, o Certificado de Comprador, emitido pelo Poder Público em favor do profissional autônomo ou entidade habilitada a prover a oferta de esportes radicais ou de aventura. Quem vender equipamentos a pessoas não qualificadas para a prática dos esportes estará sujeito a multa e pena de detenção de seis meses a dois anos.

Preocupação

A preocupação dos senadores é tamanha que eles resolveram fazer uma audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) para instruir a tramitação do projeto, que será votado em decisão terminativa nesse colegiado. Marcada para esta quarta-feira (4), a partir das 10h, a reunião procura ampliar a discussão da matéria. Entre os convidados, está Flávio Padaratz - o Teco - bicampeão mundial de surfe e proprietário da licença WCT no Brasil.

Também deverão participar da audiência pública o presidente da Confederação Brasileira de Surf, Antônio de Barros; o diretor do Departamento de Qualificação, Certificação e de Produção Associada ao Turismo, do Ministério do Turismo, Diogo Demarco; o presidente da Confederação Brasileira de Pára-Quedismo, Jorge Derviche Filho; o diretor do Departamento de Esporte de Base e de Alto Rendimento, do Ministério do Esporte, André Arantes; e o presidente da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada, Silvério Nery Filho.

Cláudio Bernardo / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
75440

  • Lei em questão:
Senador EFRAIM MORAIS

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº , DE 2005

Estabelece regras para a prática de esportes radicais ou de aventura no País.

O CONGRESSO NACIONAL decreta:

Art. 1° Esta Lei estabelece normas para a prática de esportes radicais ou de aventura no País.

Parágrafo único. Para efeito desta Lei, classificam-se como esportes radicais ou de aventura as atividades esportivas de caráter recreativo, oferecidas comercialmente, com riscos avaliados, controlados e assumidos.

Art. 2° A prestação de serviços consistentes na prática de esportes radicais fica condicionada à comprovação, nos competentes órgãos ou entidades do Poder Público, de qualificação específica de instrutores e profissionais responsáveis pela preparação de locais e operação de equipamentos.

§ 1° A qualificação de instrutores e demais profissionais será comprovada por meio de certificação obtida em curso aprovado pelos competentes órgãos do Poder Público.

§ 2º A certificação de que trata o § 1º fica sujeita a renovação periódica.

Art. 3° Para acesso aos insumos e equipamentos utilizados na prática de esportes radicais, fica instituído o Certificado de Comprador, emitido pelo Poder Público em favor de profissional autônomo ou entidade habilitada a prover a oferta de esportes radicais ou de aventura.

§ 1° Os estabelecimentos responsáveis pela comercialização de equipamentos para a prática de esportes radicais e de insumos utilizados na montagem desses equipamentos ficam obrigados a exigir do adquirente, quando for o caso, a apresentação do competente Certificado de Comprador.

§ 2° Para efeito do parágrafo anterior, a comercialização consiste na venda, locação, permuta e revenda, realizadas por pessoas jurídicas ou físicas.

§ 3° A inobservância do disposto no § 1º deste artigo sujeita o infrator, ou responsável legal, quando for o caso, a multa e pena de detenção de seis meses a dois anos.

Art. 4° Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.


segunda-feira, 26 de maio de 2008

De volta ao mundo real.

Como manda nossa tradição mais uma vez voltamos de Teresópolis depois de novamente trilhar a maravilhosa travessia Petrópolis-Teresópolis. Dessa vez, além do clima maravilhoso a lua estava cheia e no dia 24 para 25 de maio a temperatura chegou aos -5ºC deixando uma camada de gelo no toldo da barraca, que foi suficiente para fazermos raspadinha sabor tang limão! A seguir algumas fotos e para um próxima e breve postagem o nosso vídeo (de lei) e relato.

Dessa vez com 9 participantes, da esquerda para a direita, Márcio, Marcelinho, Vanessa, Alex (com a cara escondida), Va-Silas, Marina, Weber, Patrícia e eu abaixado.

Como sempre, visual garantido!

Essa foi a nossa luminária todas as noites.

Weber, Alex e eu.

Galerinha dando uma tomada de fôlego antes do elevador.

Gelo na barraca.

Esse a gente usou para fazer raspadinha de limão!

Acampamento no morro do elevador.

Quatro dias de visual maravilhoso, muito sol e nada de nuvens.

terça-feira, 25 de março de 2008

Kit perrengue: Um dia você ainda vai usar um!

Todo mundo está careca de saber que a prática do montahismo está ligada diretamente ao risco. Risco de tomar chuva, risco de queda, risco de levar um raio no traseiro, risco de fraturas, hipotermia, risco de calcular mal algum suprimento e passar perrengue na atividade, risco de ter que vestir mesmo um paleto de madeira, enfim o legal do montanhismo (pelo menos para mim) é justamente ter que trabalhar a extratégia e a logística para se minimizar a possibilidade de ocorrência das famosas "roubadas". Tem até uma comunidade no Orkut direcionada ao público escalador que se chama "quem não arrisca não se phode" do nosso colega Bernardo Collares Arantes que a meu ver, ilustra humoristicamente bem o fator risco na escalada e no montanhismo de uma forma geral. Mas é bom salientar que o bom senso e experiência são sempre indicados para que a gente não se "phoda" muito em uma atividade.

Apesar de existir outras variações vou relacionar aqui alguns ítens importantíssimos na mochila de qualquer montanhista que se preze, é o famoso KIT PERRENGUE que muitas vezes é carregado na mochila mas só é efetivamente utilizado na hora que o capeta está espetando nosso rabo! São eles:

1-) Mapa ou croqui de via (ou os dois):
Sempre carregue um mapa da área que você vai visitar, de preferência plastificado ou envolto em algum plástico protetor. Aprenda a utiliza-lo. Também é válido coletar antecipadamente algumas informações com pessoas que já realizaram o trajeto, para isso utilize as listas de discussão, centros excursionistas, e-mails, internet, enfim...

2-) Bússola:
Muita gente vai falar: Mas eu uso GPS!
Eu digo: E se o GPS der pau? Na época do Cabral tinha GPS? hehehe... Tenha uma bússola e saiba usá-la. O Sérgio Beck tem um livrinho bom sobre bússola, neste site: www.livrosdobeck.com

3-) Lanterna ou headlamp:
Sempre tenha uma fonte de luz a prova de chuva (muito importante) e com uma boa autonomia de funcionamento, além de pilhas novas de reserva.

4-) Comida extra:
Mesmo que você tenha certeza que vai escalar/caminhar e voltar no mesmo dia SEMPRE leve um ranguinho a mais (chocolate, queijo duro, frutas duras, frutas cristalizadas, salame, etc), nunca se sabe se você vai se machucar, se perder, ficar preso na via, etc. De preferência algo que não precise cozinhar.

5-) Anorak e roupa extra:
No caso de chuva ou vento o anorak vai te adiantar um bom lado, além de uma camiseta, blusa de fleece, cueca e meias secas. Aqui eu estou colocando algumas peças a mais do que costumo levar mas o anorak e uma blusa seca são essênciais.

6-) Manta térmica ou saco de bivaque:
Aquelas mantas de plástico tipo as que os bombeiros usam para isolar acidentados, são muito boas para improvisar abrigos e pode ser levada dobradinha dentro do estojo de p.s.. Também há alguns que preferem levar um saco de bivaque que possibilita o montanhista criar um casulo impermeável para se proteger de intempéries.

7-) Kit de primeiros socorros:
Algo básico, tipo aqueles kits de carro, com bandagens, esparadrapo, antistamínicos e algum medicamento específico necessário. Também é bom acrescentar protetor solar e purificador de água.

8-) Canivete de bolso:
Um canivete multifuncional de seu gosto que possibilite cozinhar, abrir latas, soltar parafusos, enfim, algo que lhe permita uma boa gama de soluções apesar do pouco espaço que ocupa.

9-) Fogo:
Isqueiro, fósforos, ou qualquer coisa capaz de emitir faíscas. Numa emergência talvez você seja obrigado a cozinhar ou mesmo fazer uma fogueira para se aquecer (sempre seguindo as regras do mínimo impacto, clique aqui).

10-) Água:
Recipiente onde você possa armazenar e transportar água.

11-) Telefone celular:
Hoje em dia temos cobertura nos locais mais longinquos e um celular além de barato é leve e compacto. Esse aparelho é o responsável por salvar muita gente em roubadas. Dias atrás fiquei sabendo de escaladores que ficaram presos numa via no Pico Maior em Salinas e que só puderam ser resgatados depois de ligarem para o abrigo do Portela, portanto o celular é uma opção válida e decisiva no acionamento de um possível resgate. Não esqueça de deixá-lo com créditos suficientes, bateria carregada, desligado (só usar quando precisar) e protegido de chuva. E lógicamente, tenha anotado os possível telefones necessários para solicitar resgate.

Existem outros ítens interessantes de se levar como repelente de insetos, óculos escuros, cordeletes ou barbantes, pequena latinha que pode ser útil para cozinhar algo, etc. Muita coisa útil pode ser implementada a este kit com o cuidado de sempre matê-lo leve e compacto, mas acredito que os mais importantes são os citados acima.

Para não esquecer de nada numa escalada/caminhada sempre faça um checklist (veja o nosso) de todo material necessário para sua empreitada e sempre esteja atento aos fatores climáticos e a tudo que possa interferir na segurança sua e de sua equipe.

Texto por: André Zancanaro - www.azimutantes.blogspot.com

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Técnicas de Montanhismo na internet: Problema ou solução?

Com a popularização da internet multiplicaram-se também uma infinidade de sites, blogs e portais sobre diversas modalidades esportivas e de aventura, dentre elas o Montanhismo. 

Na verdade o Montanhismo é o nome que classifica o ato de se galgar montanhas, seja por uso de equipamentos técnicos ou não. Uma atividade que requer obrigatóriamente a observação, conhecimento técnico, experiencia prática, preparo físico e equipamentos adequados as sub-modalidades a que o praticante se disponha a realizar. As sub-modalidades dentro do Montanhismo são várias, de caminhadas simples em campos de altitude até escaladas a grandes paredes com a necessidade de uma infinidade de aparatos que demandam extrema capacidade técnica e logística.

É necessário salientar que o Montanhismo é uma atividade de risco onde o desafio principal é superar os obstáculos prevendo, calculando e transpondo estes riscos afim de completar o percurso, chegando a um cume ou atravessando uma rota. Obstáculos estes que não são somente físicos, logísticos ou meteorológicos mas também psicológicos, pois cada indivíduo tem dentro de si seus próprios receios e limitações, os quais são determinantes saber controlar e respeitar para não correr riscos desnecessários ou mesmo colocar todo um grupo em uma situação ruim. Portanto é
extremamente necessário saber que quem quer que se disponha a buscar conhecimentos de Montanhismo que não o faça única e exclusivamente na Internet ou por livros, que são fontes de informação adicional mas NUNCA poderão substituir um curso presencial onde as técnicas são ensinadas na PRÁTICA por um professor capacitado e experimentado e caso seja possível homologado por alguma Federação (FEMESP, FEMERJ).

Amigos Montanhistas, tenham senso crítico para aproveitar as informações da internet, absorvam as que lhes forem úteis filtrando e analisando o conteúdo e a razoabilidade de cada uma delas mas nunca se esqueçam de que o mais importante é fazer um bom curso e escalar bastante! E não esqueça do capacete!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A historia da conquista do Dedo de Deus.

Datam do início do século XIX as primeiras manifestações montanhísticas do Brasil, havendo referências a uma inglesa que teria escalado o Pão de Açúcar (395 m), no Rio de Janeiro, em 1817. Em 1841 é registrada a presença do botânico inglês George Gardner na Pedra do Sino (2263 m), ponto culminante da Serra dos Órgãos.

A primeira escalada ao Pico das Agulhas Negras ou Itatiaiaçu (2787 m), em 1865, é atribuída a José Franklin da Silva. Em 1879 foi escalado o Pico do Marumbi ou Olimpo (1547 m), no Paraná, por um grupo liderado por Joaquim Olímpio de Miranda. Não se pode afirmar, contudo, que esses eventos tivessem qualquer conotação esportiva. O montanhismo como esporte no Brasil é bastante recente e, sem dúvida está intimamente ligado à conquista do Dedo-de-Deus (1675 m) por José Texeira Guimarães, o chefe da expedição, os irmãos Américo de Oliveira - Acácio, Alexandre e Raul Carneiro em 9 de abril de 1912. O Dedo-de-Deus, cujo contorno reproduz com nitidez uma mão apontando o indicador para o céu, é um dos vários monumentos geológicos da Serra dos Órgãos, região compreendida num setor da Serra do Mar - entre as cidades de Petrópolis e Teresópolis - e encontra-se nos limites do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNA-SO), criado pelo Decreto-Lei nº 1822, de 30.11.1939. A área do PARNA-SO é constituída, basicamente, de gnaisse arqueano, sendo alguns picos de granito.

Consta que no início deste século alguns alpinistas estrangeiros teriam tentado, sem êxito, escalar o Dedo-de-Deus, fato que chegou ao conhecimento do ferreiro pernambucano José Texeira Guimarães, radicado em Teresópolis. Lançada por Texeira a idéia da conquista, a ele juntaram-se Raul Carneiro e os irmãos Acácio, Alexandre e Américo Oliveira (foto acima), todos de Teresópolis.

Algumas incursões para reconhecimento do local teriam sido feitas pelo grupo, mas a investida que resultaria na conquista teve início na manhã de 6 de abril de 1912, sendo consumido um dia inteiro na caminhada de aproximação e montagem do acampamento-base. A chuva que caiu no dia seguinte não permitiu qualquer avanço. Na manhã do dia 8 são retomados os trabalhos e aí enfrentam o primeiro grande obstáculo: um paredão vertical de aproximadamente 12 m, com uma calha e fissura do lado direito. Ali são colocados, inicialmente 2 grampos de arganel. Com auxílio de um tronco amarrado aos grampos é vencido um lance e alcançado um pequeno platô; mais 2 grampos e o mesmo recurso do tronco, e o paredão superado. O lance que viria a seguir, com 3 m e igualmente vertical é vencido através de uma pirâmide humana, permitindo atingir a base de uma chaminé horizontal muito estreita, com 8 m de extensão, transposta com alguma dificuldade após a colocação de 4 grampos. Neste ponto é preciso enfrentar um lance externo e bastante exposto que exige a colocação de outros 3 grampos aos quais amarram o tronco; mais um obstáculo é vencido.

Não bastasse a persistente garoa, cai a tarde e começa a escurecer. Já não é mais possível prosseguir. Retornam então, à base do primeiro paredão onde, numa reentrância de pedra, se acomodam para passar a noite. Na manhã do dia 9 de abril reiniciam a escalada superando, um a um, todos os lances vencidos no dia anterior. Chegam, finalmente, a uma chaminé bastante estreita mas de pouca dificuldade ("Arranca-botão"). Outra chaminé vem a seguir, esta em forma de V, sendo cravados 3 grampos no primeiro trecho e mais 2 no segundo, permitindo alcançar um platô bastante amplo. Neste ponto já é possível antever a próxima chegada ao cume, mas o obstáculo agora é o paredão negativo de uns 4 m. Colocando um grampo na base e outro a 1,5 m, fixam a eles um tronco. Com auxílio de pirâmide humana, fazem subir Alexandre, o mais leve, o qual fixa o último grampo, possibilitando, assim, a subida de todo o grupo. Eram 17:00 do dia 9 de abril de 1912 e o Dedo-de-Deus fora finalmente conquistado!

Ao todo foram fixados 19 grampos de arganel (executados por Texeira), alguns dos quais ainda lá se encontravam. Após acender uma fogueira com objetivo de sinalizar para Teresópolis, os conquistadores improvisaram uma cobertura com ramagens e pernoitaram no cume.

Às 10:00 do dia 10 de abril, após hastearem uma bandeira nacional, os escaladores iniciaram a descida. Em Teresópolis foram recebidos como heróis e seu feito notificado com grande destaque pela imprensa. Feito notável para a época, principalmente se considerarmos que não tinham qualquer noção de técnica de escalada nem o equipamento de segurança de que hoje dispomos.

Consta que alguns conquistadores teriam voltado ao Dedo 2 anos após a conquista, mas naquela época não existiam associações de montanhismo e não se dispõe de qualquer registro desses eventos.

O Dedo-de-Deus possui hoje inúmeras vias de escalada além do Caminho Texeira (3º III Sup A-1C). A segunda via a ser conquistada foi a face Leste (3º III), em 1º de outubro de 1944, por Ulysses Braga, Almy Ulysséa e Antonio Augusto Taveira, do CEB. Trata-se de um feito notável, já que não foi colocado um só grampo em toda a extensão da escalada. Outras escaladas se seguiram: em 21 de julho de 1957, Drahomir Vrbas e Hamilton Maciel, do C.E. Carioca (CEC), conquistaram a Maria Cebola (III Sup), variante da Chaminé "Black-Out" da Face Leste. Em 29 de setembro de 1963, Claudio Vieira de Castro e Etzel Von Stockert, C.E. Rio de Janeiro (CERJ) conquistam a Face Sul (4º IV A-1). O diedro Salomith (4º IV A-1) é conquistado em 1982 por Amélio Montinelli, Mário Arnaud, Oswaldo Pereira (CEB/CERJ). Em 26 de maio de 88 é conquistada, na Face Norte, uma via de 200 m de extensão (6º VI Sup), sendo seus autores Cláudio V. Castro, Etzel Von Stockert, Mário Arnaud, Maurício Motta e Reinaldo Pires, do CERJ. Entre janeiro e julho de 1989, André Silva Ilha conquista - totalmente em nuts - três fissuras: Pseudo-Alpinista (IV Sup), com 40 m; Tempos Modernos (6º VII), com 85 m e Coração de Cristal (6º VII Sup), com a mesma extensão. Da primeira participou Marcos da Silveira e das duas outras, Ricardo de Moraes. Em 17 de março de 1991, André Ilha e Ricardo de Moraes conquistam a Passagem Abissal (5º VI Sup), uma horizontal com 70 m, toda em nuts, ligando - ao longo da Face Sul - as bases das vias Leste e Texeira.

Fontes: Mountain Voices - Informe Brasileiro de Montanhismo, ano II, nº 12, jul/ago 1992.
Teresópolis 203 anos de História 1788-1991, A. Osiris Rahal, 1991.