terça-feira, 28 de agosto de 2007

Recordando a lição: "RAPELEIRO".

Para início de assunto faz-se necessário entender com clareza o que significa a forma pejorativa do termo "rapeleiro":

"RAPELEIRO": Termo comumente empregado no meio montanhístico brasileiro para designar indivíduo que pratica atividade diretamente relacionada ao montanhismo não se preocupando em conhecer e seguir os preceitos de ética, respeito e segurança adotados nesta atividade.

Em outras palavras o "rapeleiro" é um indivíduo (que não precisa ser necessariamente um praticante de rapel pois existem vários praticantes de rapel que conhecem e respeitam as normas éticas e técnicas do montanhismo e somente praticam o rapel) que só se preocupa em sua auto-promoção e devido a suas atitudes desprovidas de bom senso e técnica pode colocar sua vida e a de outras pessoas em risco. Pode-se também classificá-lo como "farofeiro da montanha". Ou seja, "rapeleiro" é o mesmo que farofeiro, arruaceiro, vândalo.

Muitas pessoas desinformadas pensam equivocadamente que toda esta confusão se trata de uma mera rivalidade infantil entre os praticantes de escalada com os praticantes de rapel, outros não entendem nada visto que os escaladores também utilizam a técnica do rapel na descida de suas vias, o que é fato. Porém a questão não é só técnica e sim ética, não existe problema em "se praticar" o rapel e sim em "como se praticar" o rapel!

O surgimento do termo "rapeleiro" se deu devido a repetição de atitudes insensatas e muitas vezes catastróficas de algumas pessoas que na esmagadora maioria das vezes eram praticantes de rapel que nada mais é do que uma técnica de descida tecnicamente simples e, no campo logístico, relativamente barato se comparada com o preço da parafernália utilizada em escaladas. Daí se originou o grande número de praticantes (bons e "rapeleiros") desta modalidade.

Muita gente, infelizmente, adquiri o famoso "kit rapel", aprende as técnicas com algum amigo que se diz "avançado" e sai descendo as pontes e edifícios que encontram pela frente. A parte delicada do assunto acontece quando "rapeleiros" resolvem praticar suas atividades em vias de escalada, em ambiente de montanha. É neste momento que a falta de conhecimento ético e técnico do montanhismo, por parte deste indivíduos, causa o fortalecimento do termo "rapeleiro" dito em sua forma pejorativa.

Só para citar algumas das peripécias "rapelentas" podemos citar a sujeira, gritaria, som do carro alto, jogar corda na via de escalada sem ver se tem algum escalador subindo e sem gritar "corda", não usam prusik ou outro sistema de backup no rapel, soltar pedras, arrancar vegetação, defecar onde não pode, sujar e bagunçar bicas de água (Açú, acampamento 4, por exemplo), etc e etc...

O que é mais complicado ainda é ver a mídia divulgando acidentes e presepadas de "rapeleiro" como sendo de escaladores ou montanhistas, ou quando alguém vira para um escalador e faz a seguinte pergunta: Você faz rapel?

"Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!"

Se você está se iniciando no aprendizado de alguma técnica do montanhismo o faça da forma correta:

  • Faça um curso de montanhismo (rapel, técnicas verticais, etc.) com pessoas e entidades reconhecidas no meio montanhístico e ou pelas Federações de montanhismo. PESQUISE bem e não faça cursos com qualquer um.
  • Aprenda e respeite as normas expressas e tácitas de preservação ambiental.
  • Conheça e respeite a ética do montanhismo.
  • Conheça e pratique a boa educação em todos os seus aspectos.
  • Conheça e respeite suas limitações técnicas e psicológicas nas atividades que efetuar dentro do montanhismo.

Se você for capaz de seguir estes pré-requisitos tenha certeza que nunca será chamado de FAROFEIRO DA MONTANHA, vulgo "RAPELEIRO"!!!

IMPORTANTE: Se você leu este texto e o achou discriminatório, ficou indignado, ofendido... Cuidado! Existe uma grande chance de você já ser um "RAPELEIRO"!

Nós podemos te exorcizar caso queira!

VADE RETRUM RAPELENTUS!!! FUGI DEMONIUM!!!

Abaixo a charge do escalador macarrão: http://tradfriends.com/


Desastre na parte alta do Itatiaia.

É com imensa tristeza que expomos em nosso blog a notícia que se segue. Confira nos links a seguir as informações sobre o incêndio que destruiu a parte alta do Parque Nacional do Itatiaia nestes últimos dias.

Imagens do incêndio - fonte PrevFogo/IBAMA - PNI

Lagoa do Cavalo - antes e depois.

Ponte pênsil no caminho para o Agulhas - antes e depois

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Breve história do montanhismo, no mundo e no Brasil.

O que é Montanhismo?

Montanhismo é o nome que se dá ao ato de se galgar montanhas, seja por uso de equipamentos técnicos ou não. Por diversas vezes o termo é confundido com o alpinismo.
O nome "alpinismo" é o mais popular devido aos Alpes, onde, praticamente deu-se início a prática das escaladas em montanha. Por causa de sua popularidade este termo não é designado para caracterizar apenas as escaladas feitas nos Alpes, mas em todas as rochas e montanhas do mundo. Alguns termos como "andinismo", e "himalaismo" também são empregados mas não obtiveram a mesma popularidade.

O montanhismo é uma espécie dentro do gênero do excursionismo. O excursionismo é uma atividade que engloba diversas outras como por exemplo o campismo, a espeleologia, a canoagem, a caminhada por trilhas, o mergulho e também o montanhismo. Geralmente, o termo excursionismo pode substituir o termo montanhismo. Isto geralmente acontece e um exemplo claro disso são os nomes das associações de excursionistas onde a atividade de escalar montanhas prevalece.

O ato mecânico de simplesmente "subir" uma montanha por diversos motivos, sejam eles por desafio ou por prazer, para muitos pode parecer idiotíce, porém o Montanhismo traz em sua essência muitos valores agregados, dentre eles a preservação ambiental, o mínimo impacto, a organização e logística para a superação de obstáculos, o companheirismo, a amizade, o espírito de equipe, a superação dos limites físicos e psicológicos de cada indivíduo.

Um pouco sobre a história do Montanhismo mundial.

Desde o princípio da existência humana, as montanhas despertavam fascínio e temor, pois a elas eram atribuídas características mágicas e sobrenaturais, sendo muitas vezes vistas como a moradia de deuses e criaturas monstruosas, somando-se aos fenômenos meteorológicos e geofísicos que freqüentemente revelavam-se nas suas formas mais severas. Isto manteve o homem longe das grandes montanhas por muito tempo e só no final do século XVI algumas expedições científicas com o objetivo de obter respostas sobre os poderosos fenômenos atmosféricos ousaram escala-las. Estas expedições enfrentavam um ambiente hostil quando não havia tecnologia em equipamentos e nem capacidade técnica devido a falta de experiência. Nesta época era comum associar heroísmo e bravura ao montanhista que com recursos escassos enfrentava um ambiente considerado hostil e muitas vezes fatal.
O ponto de partida do alpinismo moderno se deu em 8 de agosto de 1786 quando os franceses Jacques Balmat e Michel Gabriel Paccard venceram os 4.800 metros do Mont Blanc na Europa. O monte mais alto do planeta, o Everest com 8.882 metros, foi culminado em 1953 pelo neozelandês Edward Hillary e o nepalês Tesing Norkay. Na época este feito foi considerado um ato extremo de bravura e coragem e o alpinismo entrou em sua fase de ouro.


O Marco do Montanhismo Brasileiro.

O marco inicial do alpinismo brasileiro na escalada esportiva (fato qual alguns se opõe) se deu com a conquista do pico do Dedo de Deus na Serra dos Órgãos, próximo ao município de Teresópolis no Rio de Janeiro. Tal título vem do fato de que na época esta formação rochosa foi capaz de repelir várias expedições estrangeiras que a abordaram em tentativas frustradas de escala-la. Logo foi considerado "inescalável" pelos estrangeiros que diziam que "se eles, que eram escaladores experientes não conseguiram escalar o Dedo de Deus, nenhum brasileiro o faria!". Motivados por este desafio um corajoso grupo de rapazes de Teresópolis resolveram escala-lo, mesmo não tendo muita experiência nas técnicas do Alpinismo. Eram eles: José Teixeira Guimarães, ferreiro de profissão; o caçador Raul Carneiro; e os irmãos Alexandre e Américo de Oliveira. Utilizando-se de equipamentos de fabricação própria, como marretas, batedores, grampos (alguns destes grampos estão lá até hoje!) estes cinco escaladores, no dia 3 de abril de 1912 começaram a ultrapassar as inúmeras fendas, chaminés e paredes expostas até seiscentos metros. E finalmente, no dia 9 de abril de 1912 eles chegavam ao cume do Dedo de Deus. A via "Teixeira" até hoje é utilizada (foi regrampeada) para ascensões e descidas no Dedo de Deus.

É bom ressaltar que o Dedo de Deus não foi a primeira montanha a ser escalada no Brasil, mas sim a que mais se destacou. Desde o século 17 os Bandeirantes já galgavam montanhas e no século 19 várias escaladas foram registradas, porém, diferentemente da escalada do Dedo, estas eram motivadas por medições topográficas e estudos.

Algumas ascenções importantes no montanhismo brasileiro:

  • Parte do Agulhas Negras em 1856, por José Franklin Massena.
  • Pão de Açúcar em 1817, por estrangeiros que subiram pelo "Costão".
  • Monte Olimpo em 1879, Serra do Marumbi, por Joaquim Olímpio de Miranda.
  • Cume baixo do Agulhas Negras em 1898, por Horácio de Carvalho e José Frederico Borba.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Histórico de Viagens

Quando eu comecei a praticar atividades de excursionismo me deparei com a necessidade de anotar algumas informações para uso posterior, do tipo "quanto tempo eu demorei para fazer o trecho do Ajax até o morro do Açu?" na travessia Petro-Terê, ou então "quanto tempo demora pra ir da garganta do registro até o Alsene?".

Hoje o GPS resolve a maioria dos problemas mas como ainda não tive necessidade e nem vontade de ter um, continuo somente com a bússola e a carta topográfica e anotando no papelzinho mesmo.

Resolvi fazer um simples histórico que eu uso quando vou para algum lugar e preciso anotar as informações, basicamente anoto onde estou, a hora e a data e para onde estou indo e quando chego no local anoto a hora.

Segue abaixo um exemplo de uma travessia de 2005:
O fato de anotarmos onde estamos e para onde vamos é útil pois nos permite saber quanto tempo ficamos parados em um determinado ponto, por exemplo:

Pelo histórico é possível saber que ficamos parados na pedra do queijo por 30 minutos, e que o percurso da portaria até a pedra do queijo durou 1 hora e quarenta e cinco minutos.

Quando chego de uma atividade, escaneio o histórico e coloco na pasta das fotos no computador, assim quando desejo repetir o evento revejo os históricos para programar me melhor.

Cada um pode acrescentar a informação que achar interessante, tipo a direção predominante no trecho ou outras, no meu caso fiz um também contendo um campo de quilometragem pois o jipe não têm odômetro:

Dicas:

Procure utilizar lápis e borracha, lapiseira além de correr o risco de acabar o grafite ela pode emperrar e caneta não tem como corrigir e pode vazer!

Eu costumo imprimir umas três ou quatro folhas, grampear e colocar num saquinho zip junto com o lápis.

Você pode utilizar o verso para fazer observações importantes tipo horários e preços de ônibus, telefones de lugares, etc.

Segue o modelo:

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Checklist de Equipamentos

Segue um modelo de checklist de equipamentos que usamos quando fazemos  alguma atividade, dependendo da atividade acrescentamos ou retiramos itens. Dá pra fazer esse modelo sem problemas no word, mas caso alguém queira o arquivo pronto nos mande um e-mail que a gente envia.