terça-feira, 24 de junho de 2008
GOVERNO QUER MUDAR A LEGISLAÇÃO ESPELEOLÓGICA PARA LIBERAR OBRAS
Acho importante a leitura do texto escrito por Marcelo Augusto Rasteiro (SBE 1089) que foi publicado no boletím Eletrônico da SBE.
"Nos próximos dias, o governo brasileiro deve revogar o Decreto que impede a supressão de cavernas e aprovar uma nova legislação dando superpoderes ao Ibama, pondo em risco as cavernas e a própria espeleologia.
São, pelo menos, duas frentes defendendo os interesses desenvolvimentistas, uma através do Projeto de Lei que tramita rapidamente na câmara, e outra através de Decreto ( ) que provavelmente será aprovado mais rapidamente, já que só depende de uma assinatura.
As duas propostas conhecidas visam liberar a supressão de cavernas mediante um licenciamento aprovado pelo Ibama. Segundo a Pré-proposta de metodologia de até mesmo cavidades muito relevantes poderão ser suprimidas desde que se comprove que isso atenda a demanda
econômica e social de interesse macroregional.
O EXEMPLO DA TIJUCO ALTO
Para quem ainda têm dúvidas das reais intenções do governo, vejamos o caso do projeto de construção da Barragem de Tijuco Alto: O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apresentado pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) traz diversas falhas, algumas apontadas pela SBE em parecer entregue ao Ibama, além disso, deixa claro que pelo menos duas cavidades serão inundadas. Apesar desse impacto irreversível não ser permitido pela legislação vigente, o que foi apontado inclusive pelo CECAV, o Ibama emitiu um parecer favorável ao empreendimento, prevendo que a legislação será alterada para permitir a supressão de cavernas.
Será que o Ibama terá forças para lutar contra “ordens superiores” e garantir a proteção ambiental? Não podemos nos esquecer de que o instituto foi dividido ao meio como uma clara represália pela não liberação de obras.
SUPER-PODERES?
As propostas de alteração trazem duas ameaças, a possibilidade de destruição de cavernas e o controle autoritário sobre a espeleologia.
No tocante à destruição de cavernas, bastará que o empreendedor comprove através de estudos o grau de relevância da caverna e a importância do seu empreendimento. O problema é que segue o mesmo processo de qualquer licenciamento ambiental, ou seja, o empreendedor contrata uma equipe de técnicos para fazer um laudo que mais lhe convém e o Ibama avalia sob a pressão de quem estiver a frente do poder executivo. A exemplo do que acontece com a Tijuco Alto, a sociedade pode até se manifestar, como tem feito, mas o governo só ouve o que quer!
Outro fator preocupante é a idéia de controle, quase fascista, do Ibama sobre a espeleologia. Hoje apenas as atividades espeleológicas que envolvam coleta (biológica ou geológica) e mergulho precisam de autorização prévia do Ibama, mas, com as novas propostas, toda atividade espeleológica dependerá de autorização do Ibama ou seguir as regras definidas por este. Isso deve burocratizar as atividades espeleológicas voluntárias, praticamente paralisando-as, assim como acontece com o espeleomergulho há quase 10 anos.
POSICIONAMENTO PESSOAL
Apesar de todos os perigos, parece que a maioria ainda continua acéfala, só se preocupa quando é pessoalmente impedida de entrar em uma determinada caverna, ou quando vê alguma destruição, mas o rubor do primeiro momento logo é substituído pela indiferença e assuntos do dia-a-dia.
Alguns poucos, os que poderão lucrar com o mercado da venda de laudos, parecem afrouxar seus critérios morais, afinal, com raras exceções, as vantagens pessoais costumam ser colocadas na balança na hora de pesar o certo e o errado.
Outros poucos, e me incluo nestes, apesar de ver o perigo não conseguem evitá-lo. Sinceramente não me sinto competente o suficiente para impedir o que está por vir, apenas mantenho a esperança.
Se você chegou até aqui na leitura, é porque faz parte de uma minoria. Agora só existem dois caminhos: fazer algo ou se fingir de morto."
Fonte: Boletím Eletrônico da Sociedade Brasileira de Espeleologia
Ano 3 - Nº 90 - 21/06/2008
Caverna do Diabo e outras dez cavernas são reabertas para visitação
A volta das atividade de turismo às cavernas administradas pela Fundação Florestal - órgão vinculado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente - , foi possível graças a um acordo judicial assinado pela FF, Ibama, Instituto Chico Mendes/Cecav, o Estado de São Paulo e a União. As dez cavernas do Parque Intervales que foram reabertas no sábado são: Fendão, Mãozinha, Minotauro, Jane Mansfield, Santa, Colorida, Fogo, Meninos, Detrás e Tatu.
Em fevereiro deste ano, todas as cavernas do Intervales, do PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira) e do Parque Estadual Caverna do Diabo, haviam sido fechadas por determinação do IBAMA, causando prejuízos à economia das cidades de Iporanga e Eldorado, que têm no turismo espeleológico uma de suas principais fontes de renda. As cavernas do PETAR já haviam sido liberadas em abril, e o parque completou 50 anos em maio.
Fonte: http://viajeaqui.abril.uol.com.br/indices/conteudo/noticias/91854_comentarios.shtml?6978403
domingo, 22 de junho de 2008
Livros: Livros de Excursionismo do Beck

Trata da ética do esporte, os nós mais comuns, as técnicas básicas de progressão, ancoragens e segurança, rapel e escalada artificial, aborda também alguma coisa sobre escalada esportiva e de competição, bem como algumas noções de treinamento e de auto-resgate, encerrando com rápidas noções de escalada de big-walls, e gelo e neve.
Além desses dois livros no site do Beck você ainda pode encontrar a sua série de livros de bolso, e o "Ratos de Caverna" sobre espeleologia.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Equipamentos Roubados - A moda não pode pegar!
É importante lembrarmos que um artigo roubado só é roubado se existir quem compre, assim como acontece com os carros, se não existisse um comércio paralelo de peças (vulgo "Roubauto") não existiriam desmanches nem tantos roubos, o mesmo raciocínio pode e DEVE ser aplicado ao montanhismo.
A princípio pode parecer um ótimo negócio comprar um artigo qualquer por menos da metade do preço porém essa prática gera um círculo vicioso onde para alguém se dar bem, alguém tem que se dar mal, até que o lado se inverta e um dia no meio de uma trilha você acabe com uma arma na cabeça porque chegou o dia de você se dar mal.
Quando se deparar com equipamentos a venda, principalmente de particulares ou equipos muito baratos, é importantíssimo que seja verificada a procedência dos mesmos tanto para a sua segurança pois você pode estar comprando um equipo condenado como para evitar que equipamentos roubados sejam passados para a frente. Desconfie sempre, em caso de dúvida é bom checar com conhecidos ou em listas de montanhismo na internet.
EQUIPAMENTO NÃO PODE VIRAR MOEDA!!!
De acordo com informações divulgadas em listas de discussões os equipamentos roubados da loja são das marcas Solo, Columbia, DEUTER e muita coisa da marca MONTAGNE, qualquer informação informar: Mário A. Sozzi , telefones:(11)3539-0700/(11)8555-4400.
Marcelo Wood
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Animais Peçonhentos: Aranhas
Armadeiras (gênero Phoneutria)

Características: Tem o corpo coberto de pelos curtos de coloração marrom-acinzentada, com manchasclaras formando pares no dorso do abdômen. Podem atingir de 3 a 4 cm de corpo e ate 15 cm de envergadura de pernas. Não constroem teia.
Habitat: Terrenos baldios. Escondem-se durante o dia em fendas, cascas de árvores, bananeiras, onde há materiais de construção, lenha acumulada ou empilhada e, dentro de residências, principalmente em roupas e calçados.
Distribuição geográfica: São encontradas na Amazônia, Regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
Sintomas após a picada: Muitas vezes ocorre forte dor imediata e intensa. É acompanhada de inchaço (edema) discreto no local da picada. Nos casos mais graves, que ocorrem principalmente com crianças, pode haver suor intenso (sudorese), enjôos (náuseas) c vômitos, agitação, alteração no batimento cardíaco (arritmia cardíaca) e choque.
Tipo de soro: Antiaracnídico, somente utilizado se houver manifestações graves.
Aranha Marrom (gênero Loxosceles)

Características: Têm o corpo revestido de pêlos curtos e sedosos de cor marrom-esverdeada, com desenho claro em forma de violino ou estrela. Podem atingir 1 cm de corpo e 3 em de envergadura de pernas. Não são aranhas agressivas, picando apenas quando comprimidas contra o corpo.
Habitat: Constroem teias irregulares em fendas de barrancos, sob cascas de arvores, telhas, tijolos empilhados, atrás de quadros e m6veis, cantos de parede, sempre ao abrigo da luz direta. No interior de domicílios se refugiam em vestimentas, causando acidentes.
Distribuição geográfica: Ocorrem em todo o Brasil, porém os acidentes são mais freqüentes nos estados da Região Sul.
Sintomas após a picada: Muitas vezes a picada não é dolorosa e, por isso, não é percebida. Horas depois do acidente aparece vermelhidão, endurecimento e dor no local, que podem ser acompanhados de bolhas e escurecimento da pele (necrose). Pode ocorrer também febre, mal-estar, dor de cabeça e vermelhidão no corpo todo e escurecimento da urina.
Tipos de soro: Antiaracnídico ou antiloxoscélico.
Viúva - Negra (gênero Latrodectus)

Características: Geralmente são aranhas de cor preta, sem pelos evidentes, de aspecto liso, com ou sem manchas vermelhas no abdômen, que é bastante redondo. Algumas espécies têm coloração marrom. No ventre há uma mancha avermelhada em forma de ampulheta.
Habitat: Vivem em teias irregulares, que constroem em vegetação rasteira, arbustos e barrancos.
Distribuição geográfica: São encontradas em todo o território brasileiro. Os poucos casos de acidentes, leves e moderados, foram notificados no litoral nordestino, principalmente na Bahia. Há menção de acidentes no Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Sintomas após a picada: Dor de média intensidade no local da picada, acompanhada de contrações musculares. Também ocorrem agitação, sudorese e alterações circulatórias.
Medidas a serem tomadas em caso de acidente: Compressas quentes e anestesia local para alivio da dor são suficientes na grande maioria dos casos. No caso de acidentes com vulva-negra, não ha soro isponível no Brasil - o acidentado deve ser hospitalizado para controle das alterações.
FONTE:
Manual de Prevenção de Acidentes com Animais Peçonhentos:
http://www.fundacentro.gov.br/ARQUIVOS/PUBLICACAO/l/Prevenção%20de%20Acidentes%20com%20Animais%20Peçonhentos.pdf
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Livro: História Do Montanhismo No Rio De Janeiro
Esta nova edição está contando com 174 fotos, 264 páginas e resolvi privilegiar as fotografias, muitas delas ocupando a página inteira. Os mapas também estão maiores e consequentemente mais legíveis. O tipo da impressão mudou: de laser para off set, melhorando a qualidade gráfica do trabalho.
O livro custará trinta reais e na próxima semana vou divulgar os pontos de venda. Quem quiser, já pode comprar comigo.
Há algumas novidades bem legais como uma foto da conquista do Paredão Carioca, primeira via conquistada pelo CEC. Uma surpresa para o Carioca já que eles não sabem da existência destas fotos. O Carioca está me ajudando para o próximo livro que dará continuidade a esta edição.
Também o Parque Nacional de Itatiaia, na figura do Daniel Toffoli, me ajudou muito me fornecendo farta documentação dos primórdios do montanhismo naquela UC (valeu também ao Santiago do GEAN).
Para finalizar quero agradecer muito a todos que teceram elogios a pioneira primeira edição, aos que fizeram criticas construtivas que só vieram a somar e também ao Rodolfo Campos pela diagramação do livro, grande camarada! A história do montanhismo brasileiro só tem a agradecer!
Abraços a todos
Waldecy
waldecyml@terra.com.br
Pós-Graduação em Ambientes de Montanha
De agosto a dezembro deste ano será ministrada a disciplina AMBIENTES DE MONTANHA no Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFRJ. Será durantes as terças das 13 às 17 horas na Ilha do Fundão, CCMN, Instituto de Geociências. Serão abertas vagas para pessoas que não são alunos da UFRJ, basta procurar: fariaantonio2003@yahoo.com.br
AMBIENTES DE MONTANHA
(Tópicos Especiaias em Geomorfologia)
Programa de Pós-Graduação em Geografia - UFRJ
Dr. Antonio Paulo de Faria
(Prof. Associado - IGEO/UFRJ)
A disciplina Ambientes de Montanha, ministrada para os cursos de mestrado e doutorado, estuda a dinâmica dos ambientes de montanha em áreas glaciais, temperadas, desérticas e tropicais. Procura entender como as montanhas se formam e evoluem em função dos processos geomorfológicos e geológicos, e os efeitos dessa dinâmica nas áreas ocupadas pelo Homem. Objetiva ainda entender os problemas ambientais causados pelo uso, bem como a evolução das relações sociais com as montanhas.
São apresentados materiais especiais em uso nas montanhas, aulas de campo e técnicas de coleta de amostras em áreas verticais. As aulas são ricamente ilustradas com projeção de slides e são incentivados debates entre os alunos.
Montanhistas brasileiros serão homenageados em Campinas
Dos sete brasileiros que alcançaram o topo do mundo (Monte Everest, 8.850 metros de altitude), quatro estão ligados a Campinas (interior de São Paulo). Por este motivo, o prefeito da cidade, Dr. Helio de Oliveira Santos vai homenageá-los amanhã (13/06) em cerimônia na sede da Prefeitura Municipal.
Ana Elisa Boscarioli tornou-se a primeira mulher brasileira a alcançar o cume de uma montanha com mais de 8.000 metros (Cho Oyu, 8.201 metros, Tibet), em 2005. Em 2006 ela também passou a ser a primeira e única brasileira a chegar ao cume da montanha mais alta do mundo, pela Face Sul (Nepal). Ana Elisa é nascida em Igarapava (SP), mas mora e trabalha em Campinas desde os três meses de idade. Em Campinas ela cursou a Unicamp onde fez Medicina e especialização em cirurgia plástica.
Rodrigo Raineri é nascido em Ibitinga (SP), mas mudou-se para Campinas quando foi aprovado na Unicamp onde fez Engenharia de Computação. Desde então, Rodrigo que acabou de atingir o cume do Monte Everest pela Face Sul no dia 27 de maio, mora e trabalha em Campinas, onde tem uma empresa ligada a esportes de aventura e treinamentos para trabalho em altura, a Grade 6.
Eduardo Keppke é nascido em Campinas e também fez Medicina e especialização em cirurgia plástica. Ele foi o parceiro de Rodrigo Raineri na expedição ao Monte Everest este ano e também conseguiu chegar ao topo do mundo no dia 27 de maio pela Face Sul.
Vitor Negrete nasceu em São Paulo, foi para Campinas cursar Engenharia de Alimentos e radicou-se na cidade onde se casou e teve dois filhos. Ele chegou ao cume do Monte Everest em 2005, pela Face Norte (Tibet) utilizando cilindros de oxigênio suplementar e, em 2006, voltou ao Monte Everest, chegou ao cume sem utilizar os cilindros de O2 e faleceu na descida, a 8.300 metros, no Acampamento 3 (8.300 metros). Marina Soler Jorge, sua viúva, receberá a homenagem in memorian.
Serviço
Data: 13/06/2008 (sexta-feira)
Hora: 11h30
Local: Prefeitura Municipal de Campinas – Salão Azul (4º andar)Avenida Anchieta, nº 200 - Campinas
Para saber mais detalhes sobre os quatro alpinistas:
www.anaboscarioli.com.br
www.rodrigoraineri.com.br
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Objetivos e Diretivas Ambientais da UIAA .
2. A declaração considera tanto os efeitos do montanhismo sobre o ambiente como também o papel que os montanhistas tem para manter um futuro sustentável para o ambiente de montanha.
3. Estes objetivos e diretivas fornece a base para as federações membros da UIAA seguirem apoiando o crescimento das atividades de montanha. Eles ajudarão as federações membro a garantir que as atividades de montanha são sensíveis às necessidades e questões ambientais e irão dispensar esforços para proteger regiões de falésia e montanha de impactos ambientais adversos, seja qual for a sua origem.
Essa declaração é baseada na "International Guidance on Conservation and Sports Activity" e declarações de políticas e relatórios da UIAA. Todos estes estão listados no Anexo.
Valores
1. O ponto central ao trabalho da UIAA é acreditar que a liberdade de praticar o montanhismo, seja nos picos remotos ou nas falésias à beira mar, é de grande valor à diversos cidadãos do mundo. A liberdade de escalar é parte da grande necessidade das pessoas de ter acesso à terra ou água para apreciação da natureza e da paisagem, como reconhecido pelo World Conservation Congress em 1996. Isto também engloba a necessidade pela aventura, pelo exercício físico e mental e as dimensões sociais dos esportes de montanha. Promover o conhecimento (e o auto conhecimento) destes valores por toda comunidade é um importante ponto inicial para alcançar os objetivos ambientais maiores da UIAA.
2. A UIAA reconhece o enorme valor das áreas de montanha: como reservas da biodiversidade, como lugares de grande interesse espiritual e histórico, como lugares de fenômenos naturais espetaculares associados ao clima e à geologia, e como o lugar dos mais bonitos cenários e cheios de paz. A referência à ambientes de montanha diz respeito desde locais remotos, selvagens e naturais até locais de habitação humana, freqüentemente com grande alterações do cenário e com grande valor cultural. A UIAA reconhece que essas áreas frequentemente contém ecossistemas frágeis e facilmente danificáveis, bem como estilos de vida locais que são sensíveis à intrusão externa.
3. A UIAA também reconhece que as montanhas são frequentemente a fonte para produtos essenciais à humanidade como um todo. Destes, os suprimentos de água pura em córregos e rios que descem de áreas de montanha são de suprema importância. De forma similar, a UIAA reconhece o uso de áreas de montanha como fontes de produtos agrícolas e dos bosques e florestas, de minerais e de reservas de energia. Entretanto, a UIAA enfatiza a necessidade de se extrair esses produtos de forma não comprometer a qualidade ambiental das áreas de montanha.
4. A UIAA reconhece o papel do "turismo de montanha" como forma de apoio às economias locais, incluindo a produção de artigos comercializados localmente, e reconhece a necessidade de manter as habilidades e conhecimentos locais de manejo do terreno. A UIAA está também preocupada em garantir que a atividade de montanhistas ajude a manter as comunidades locais, e que isso também traga benefícios habitantes das montanhas como um todo, de forma que isto é plenamente aceitável pela comunidade de montanhistas.
Impactos
A UIAA acredita que montanhistas, bem como muitas outras pessoas e organizações, devem ser bastante conscientes e preocupados a respeito do futuro do ambiente de montanha. Os seguintes tipos de impacto agridem a integridade de ecossistemas e comunidades da montanha, e ameaçam o impedir que se desfrute e que se pratique o montanhismo.
1. A perda da biodiversidade devido à destruição das florestas, exagero na roçagem e aragem e incêndios. Estes impactos podem ter profundos efeitos sobre a cobertura de vegetação natural do solo, a riqueza de espécies animais e a perda do solo e vegetação devido à erosão. O caráter selvagem não degradado das áreas de montanha está diminuindo.
2. Alterações maciças e agressivas da paisagem natural. Trabalhos de mineração de grande escala, esquemas para grandes reservatórios de água e hidrelétricas estradas, ferrovias, torres e estruturas para telecomunicações, instalações e edificações de estações de esqui, e especialmente as alterações destinadas ao desenvolvimento do turismo e da indústria são pontos que particularmente causam grandes preocupações.
3. Alterações climáticas, poluição através da contaminação do ar ou água e ruídos intrusos provenientes de veículos motorizados e aviões. Virtualmente, não há no mundo nenhuma área de montanha onde os sinais da poluição estão ausentes, e todo o globo está sendo afetado por mudanças climáticas. Montanhistas devem refletir sobre como suas atividades estão colaborando com os problemas de poluição, e como, considerando a sociedade como um todo, os montanhistas podem contribuir para fazer da terra um lugar menos poluído.
4. abuso no uso de locais frágeis e sensíveis. Um número excessivo de visitantes, incluindo entre eles os montanhistas, está levando à degradação de alguns ambientes de montanha, através do uso demasiado de áreas frágeis e sensíveis ou até mesmo por falta de uma conduta adequada como montanhista. Estes danos estão ocorrendo em áreas relativamente pequenas de diversas regiões de montanha, e são menos significantes do que alguns dos problemas listados acima. Este abuso, entretanto, parecem estar sendo bastante significantes em alguns dos locais de escalada mais famosos do mundo, como os campos base das mais altas montanhas, das trilhas mais frequentadas por montanhistas e trekkers, ou em falésias e paredes amadas pelos escaladores, observadores de pássaros e biólogos. É essencial que as organizações de trekking, expedições de montanha e escaladores tenham consciência disso, e passem a adotar melhores técnicas e conduta.
Integração
A UIAA acredita que montanhistas tem um grande potencial para assumir suas responsabilidades ambientais, bem como condições de proteger as terras de montanha e suas comunidades através de um processo de integração com outras entidades e setores da sociedade. Estes são os requisitos básicos que cada montanhista deve considerar como indivíduo e como membro da comunidade de montanhistas:
* Persuadir os responsáveis por tomada de decisões que as montanhas e o povo das montanhas são importantes e que o montanhismo é uma atividade que merece apoio.
* Difundir que o conceito de liberdade de acesso, exercido com responsabilidade, é uma elemento inerente ao montanhismo, frequentemente associado à extenuantes esforços físicos e mentais, risco e aventura, e uma relativa ausência de regras e regulamentações.
* Ter consciência que viajar por lugares lindos é um elemento essencial na maioria das experiências de montanha, e assim, os montanhistas devem se esforçar para manter estes lugares bonitos.
* Desenvolver técnicas de escalada e montanhismo que tenham mínimo impacto no ambiente, incluindo acertos de viagem e transporte que minimizem a poluição e a queima de combustíveis fósseis, bem como o uso de material reciclado.
* Apoiar ações e esforços que protejam áreas de montanha e melhorem o bem estar e a prosperidade de comunidades locais, assumindo que estas ações estejam de acordo com os interesses dos montanhistas através de consulta e negociação anteriores. Por exemplo:
Apoiando a criação de áreas de proteção, como parques nacionais e reservas, para salvaguardar espécies selvagens e paisagens especiais. Deve-se considerar também que essas áreas sejam também gerenciadas e manejadas de maneira eficiente e estejam bem integradas com as necessidades das comunidades locais e esteja considerando as necessidades dos montanhistas.
Apoiando, onde necessário, a regulamentação, desde que esta seja aceitável aos montanhistas e capaz de ser aplicado de forma equalitária a todos, e que preferencialmente seja feito através de acordos e arranjos entre pessoas voluntárias.
Apoiando medidas justas e equalitárias que ajudem os montanhistas a contribuir diretamente à prosperidade econômica e bem estar ambiental das comunidades locais. Ajuda deve ser dada à incorporação de educação ambiental em programas para instrutores e guias de montanhismo.
* Promover a iteração entre federações de montanhismo, organizações representantes da sociedade e cidadãos, governo, organizações internacionais no que tange políticas sobre o uso da terra, energia e transporte que afetem áreas de montanha.
* Desenvolver parcerias entre organizações ligadas ao montanhismo e outras organizações com interesse em defender e preservar o ambiente de montanha, mas que também defendam a liberdade de acesso.
Estes requisitos básicos definem o escopo principal da política ambiental da UIAA, e fornece a base para as federações integrantes da UIAA promoverem atividades de montanhismo que considerem as principais questões ambientais.
Anexo aos Objetivos e Diretivas
Diretrizes internacionais:
1. Resolution on public access to land and water, supported by the UIAA and passed by the World Conservation Congress of the World Conservation Union (IUCN), Montreal, Canada, 1996.
2. Declaration on Sports and Environment issued by the International Olympic Committee, 1996.
Declarações de política e relatórios aprovados por assembléias gerais da UIAA
- Kathmandu Declaration (1982)
- Matsumoto Mountain Protection Report (1992)
- Target programme to reduce trash (1992)
- Resolution on touristic flights in mountain areas (1994)
- Guidelines for ski alpinism competitions (1994)
- Policy on competition climbing (1995)
- Minutes of Cape Town Conference on "Access and Conservation Policy" (1995)
- UIAA Expeditions Code of Ethics (1987)
Fonte: www.hangon.com.br
Traduzido por Maurício "ToNTo" Clauzet de um texto da UIAA.
Especialistas defendem ampliação de debate sobre projeto que regulamenta esportes radicais.
A discussão sobre o projeto de lei do Senado que estabelece regras para a prática de esportes radicais ou de aventura deve ser ampliada para que pontos da proposta sejam mais bem esclarecidos. Essa foi a manifestação de especialistas em esportes radicais que participaram, nesta quarta-feira (4), de um debate sobre a matéria na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). O relator, senador Raimundo Colombo (DEM-SC), prometeu promover novas discussões, mas afirmou que os esportes radicais e de aventura necessitam ser regulamentados. Para o senador, é preciso dar mais segurança aos praticantes, além de garantir equipamentos e insumos de qualidade. O presidente da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME), Silvério José Nery Filho, disse que os equipamentos usados no país para a prática de esportes radicais ou de aventura são de boa qualidade e estão de acordo com os padrões da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Ele informou que, de acordo com estatísticas, dentro do setor de montanhismo e escalada, em cada seis anos é registrada apenas uma fatalidade.
Já o presidente da Confederação Brasileira de Pára-Quedismo (CBPQ), Jorge Derviche Filho, informou que o esporte já possui regulamentação, enquanto Flávio Padaratz - o Teco - bicampeão mundial de surfe, advertiu que o projeto, como está elaborado, poderia gerar "conseqüências drásticas" para o esporte. Ele observou que o surfe é considerado também um esporte livre, que se confunde com um lazer. No Brasil, conforme informou, há cerca de 3,5 milhões de praticantes dessa modalidade, sendo muito difícil, conforme reconheceu, o credenciamento de instrutores para ministrar aulas de surfe, conforme determina o projeto.
O representante do Ministério do Turismo Diogo Demarco reconheceu que o setor deve ser normatizado, desde que em comum acordo com federações, associações e entidades ligadas aos esportes radicais e de aventura.
- Saiba o que a CBME disse ao senado, faça o download da apresentação. (.pdf - 398 kb)
Acidentes
Mortes e constantes acidentes, muitos deles graves, que vêm mutilando atletas que praticam os chamados esportes radicais ou de aventura - como bungee jump, rapel, surfe, e montanhismo - levaram a CE a debater regras claras destinadas a dar mais segurança aos que praticam essas modalidades esportivas.
A audiência pública destinou-se a instruir o projeto. de autoria do senador Efraim Morais (DEM-PB), que deverá ser votado em breve pela CE em decisão terminativa. A proposição (PLS 403/05), cujo parecer já foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), chega a exigir o selo de controle de qualidade dos equipamentos usados em esportes radicais, a ser emitido pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro).
A proposta de Efraim também condiciona a prática dos esportes radicais à qualificação técnica de instrutores e demais profissionais responsáveis pela preparação dos locais e operação de equipamentos, por meio de certificado obtido em curso específico. Cria também o Certificado de Comprador, emitido pelo Poder Público em favor do profissional autônomo ou entidade habilitada a prover a oferta de esportes radicais ou de aventura.
Fonte: Cláudio Bernardo / Agência Senado
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Legislação sobre esportes radicais ou de aventura, suspense!
- PLS 00403 / 2005
Situação: AUDIÊNCIA PÚBLICA
A Comissão, reunida no dia de hoje, realiza Audiência Pública para instruir o presente projeto, com os seguintes convidados: Diogo Joel Demarco - Diretor do Departamento de Qualificação, Certificação e de Produção Associada ao Turismo do Ministério do Turismo; Jorge Derviche Filho - Presidente da Confederação Brasileira de Pára-Quedismo - CBPQ; André Arantes - Diretor do Departamento de Esporte de Base e de Alto Rendimento do Ministério do Esporte; Flávio Padaratz - Bicampeão Mundial de Surf e Proprietário da licença WCT no Brasil; e Silvério José Nery Filho - Presidente da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada - CBME. A matéria retorna ao gabinete do relator, Senador Raimundo Colombo, para prosseguimento de sua tramitação.
Fonte: http://www.senado.gov.br/
Nota do Autor: É bom que eu deixe bem claro aqui que eu não sou contra a regulamentação dos esportes radicais ou de aventura, porém que seja regulamentado por pessoas compreendedoras da ética e dos valores do Montanhismo e não de maneira vaga e pouco específica dando munição para que nossa atividade seja inviabilizada. Sou TOTALMENTE CONTRA o texto do referido projeto em questão.
terça-feira, 3 de junho de 2008
Mortes no Montanhismo brasileiro gerando frutos!
Leiam a matéria a seguir publicada na página do Senado Federal:
- Projeto que regulamenta prática de esportes radicais e de aventura será debatido em audiência pública
O primeiro passo já foi dado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), que aprovou parecer a projeto de autoria do senador Efraim Morais (DEM-PB) que estabelece regras para os esportes radicais. O projeto (PLS 403/05) chega a exigir o selo de controle de qualidade dos equipamentos usados em esportes radicais, a ser emitido pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro).
Os estabelecimentos responsáveis pela comercialização de equipamentos usados nos esportes radicais e de insumos utilizados na montagem desses equipamentos, de acordo com o projeto, serão obrigados a exigir, do adquirente, o Certificado de Comprador, emitido pelo Poder Público em favor do profissional autônomo ou entidade habilitada a prover a oferta de esportes radicais ou de aventura. Quem vender equipamentos a pessoas não qualificadas para a prática dos esportes estará sujeito a multa e pena de detenção de seis meses a dois anos.
Preocupação
A preocupação dos senadores é tamanha que eles resolveram fazer uma audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) para instruir a tramitação do projeto, que será votado em decisão terminativa nesse colegiado. Marcada para esta quarta-feira (4), a partir das 10h, a reunião procura ampliar a discussão da matéria. Entre os convidados, está Flávio Padaratz - o Teco - bicampeão mundial de surfe e proprietário da licença WCT no Brasil.
Também deverão participar da audiência pública o presidente da Confederação Brasileira de Surf, Antônio de Barros; o diretor do Departamento de Qualificação, Certificação e de Produção Associada ao Turismo, do Ministério do Turismo, Diogo Demarco; o presidente da Confederação Brasileira de Pára-Quedismo, Jorge Derviche Filho; o diretor do Departamento de Esporte de Base e de Alto Rendimento, do Ministério do Esporte, André Arantes; e o presidente da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada, Silvério Nery Filho.
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
- Lei em questão:
PROJETO DE LEI DO SENADO N , DE 2005º
Estabelece regras para a prática de esportes radicais ou de aventura no País.
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1 Esta Lei estabelece normas para a prática de esportes radicais ou de aventura no País. °
Parágrafo único. Para efeito desta Lei, classificam-se como esportes radicais ou de aventura as atividades esportivas de caráter recreativo, oferecidas comercialmente, com riscos avaliados, controlados e assumidos.
Art. 2 A prestação de serviços consistentes na prática de esportes radicais fica condicionada à comprovação, nos competentes órgãos ou entidades do Poder Público, de qualificação específica de instrutores e profissionais responsáveis pela preparação de locais e operação de equipamentos.°
§ 1 A qualificação de instrutores e demais profissionais será comprovada por meio de certificação obtida em curso aprovado pelos competentes órgãos do Poder Público. °
§ 2º A certificação de que trata o § 1º fica sujeita a renovação periódica.
Art. 3 Para acesso aos insumos e equipamentos utilizados na prática de esportes radicais, fica instituído o Certificado de Comprador, emitido pelo Poder Público em favor de profissional autônomo ou entidade habilitada a prover a oferta de esportes radicais ou de aventura. °
§ 1 Os estabelecimentos responsáveis pela comercialização de equipamentos para a prática de esportes radicais e de insumos utilizados na montagem desses equipamentos ficam obrigados a exigir do adquirente, quando for o caso, a apresentação do competente Certificado de Comprador.°
§ 2 Para efeito do parágrafo anterior, a comercialização consiste na venda, locação, permuta e revenda, realizadas por pessoas jurídicas ou físicas. °
§ 3 A inobservância do disposto no § 1º deste artigo sujeita o infrator, ou responsável legal, quando for o caso, a multa e pena de detenção de seis meses a dois anos.°
Art. 4 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.°
domingo, 1 de junho de 2008
Erro na confecção do nó é a hipótese mais provável do acidente.
- Segundo informações, os escaladores estariam rapelando com duas cordas no momento do acidente e o nó que emendava as cordas tenha se desfeito.
Conforme os amigos da namorada do escalador Marcos Aurélio Thuler, de 25 anos, que morreu na tarde de sexta-feira ao cair durante uma escalda no morro da Babilônia, no Rio de Janeiro, o grupo estava rapelando a via.
A amiga que não quis ser identificada afirmou que a namorada do acidentado "disse que foi tudo muito rápido. Que viu a corda descendo rápido e os rapazes despencando, mas de onde ela estava não dava para ver onde eles tinham caído. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu."
"A namorada do rapaz acredita que alguma coisa do equipamento se soltou. Daniele e Marcos estavam fazendo aulas de alpinismo numa academia. Acho que esta era a segunda vez que escalavam em pedra. Mas como eram novatos, estavam acompanhados por guias."
Segundo ela, tudo o que a moça viu foi a corda descendo muito rápido.
Para a polícia do Rio, o segundo acidentado, chamado Júlio Fábio Patrício da Silva, que está internado em um hospital, deverá esclarecer como ocorreu o acidente.
"Só ele sabe o que aconteceu lá em cima. Os outros viram muito pouco e não podem ajudar a esclarecer o caso", afirmou o delegado da 10ª DP (Botafogo), Eduardo Baptista, que vai esperar o rapaz sair do hospital para interrogá-lo.
Segundo seu irmão, Julio sofreu fratura exposta em uma perna e as muitas pancadas na cabeça resultaram um traumatismo craniano, mas possivelmente ele deve deixar o hospital neste domingo. O rapaz ainda acrescentou que o equipamento do irmão era novo e comprado recentemente e que o irmão já havia escalado no Pão de Açúcar.
Várias informações de escaladores do Rio de Janeiro dão conta que ambos estavam iniciando o rapel com duas cordas e que estariam descendo juntos. Possivelmente o peso dos dois escaladores sobre o nó, e mais a possível confecções errônea do nó de junção das duas cordas sejam os fatos determinantes do acidente.
Outras preocupantes informações também dão conta de que ambos eram assessorados por guias de montanhismo e escalada no momento do acidente.
Fonte: http://altamontanha.com
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